terça-feira, 30 de setembro de 2008
Vírgula
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro:
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária:
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões:
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
retirado de Yan Kaô
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Quando precisamos aprender mais uma vez

terça-feira, 23 de setembro de 2008
JORNADA DE DEBATES: EXISTE POLÍTICA ALÉM DO VOTO!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
passos
Passante, quase enamorado,
nem livre nem prisioneiro
constantemente arrebatado,
-- fiel? saudoso? amante? alheio? --
a escutar o chamado,
o apelo do mundo inteiro,
nos contrastes de cada lado...
Chega?
Passante quase enamorado,
já divinamente afeito
a amar se ter de ser amado,
porque o tempo é traiçoeiro
e tudo lhe é tirado
repentinamente do peito,
malgrado seu querer, malgrado...
Passa?
Passante quase enamorado,
pelos campos do inverdadeiro,
onde o futuro é já passado...
-- Lúcido, calmo, satisfeito,
-- fiel? saudoso? amante? alheio? –
só de horizontes convidado...
Volta?
Cecília Meireles, Poemas Escritos na Índia, in Obra Poética - Volume Único, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1987
Quem disse que nada muda?

Feira militar é cancelada por receio de “selvageria anarquista”.
O próximo 11 de novembro (dia em que é celebrado o 'Dia da Memória' das pessoas mortas na primeira guerra mundial), em Adelaide, Austrália, iria se realizar o APDSE (Asia Pacific Defence & Security Exhibition), uma grande feira internacional de exposição e venda de material bélico de defesa e segurança para a Ásia e o Pacifico. Calculava-se que seriam comercializados nesse evento mais de 1,4 trilhões de dólares em armamentos.
Esta feira é, praticamente, para a compra e venda de armas, e países como EUA, Inglaterra, França, África do Sul e outros, já tinham reservado uma quantidade ampla de cadeiras para o evento.
No momento que o 'governador' da Austrália do Sul, Kevin Foley, anunciou que, em Adelaide, seria realizada a exposição, ativistas contra a guerra começaram a planejar um dia de ação direta e atividades durante os três dias do evento, e a organizar, desde então, ativistas de todo o continente australiano para convergir a ele. A idéia era fazer um festival de paz entre 9 e 11 de novembro, para bloquear completamente esse evento militarista.
Sábado retrasado, 6 de setembro, num comunicado público, Kevin Foley anunciou que ia cancelar a feira. A razão, explicou, é de segurança, já que havia 'ameaças de violência' por parte de manifestantes contra o evento.
Os organizadores da APDSE afirmaram que a exposição estava sendo objetivo de manifestantes violentos e organizados, com um histórico de haver causado o fechamento de outras exposições de defesa e segurança (em 1991, quando uma exposição como esta foi projetada, protestos prévios acabaram em distúrbios muito violentos e que causaram seu cancelamento), e de participação em eventos internacionais (como os protestos contra o G20).
No comunicado público, o governador se referiu aos manifestantes como, 'anarquistas de vida pequena', dizendo que são só anarquistas que gostam de perturbar a 'sociedade civil', “perversos e perigosos para a sociedade”, “que querem uma sociedade num estado de anarquia, para seus prazeres perversos”, e “um monte mais de coisas que mostram sua incultura”, de “seres sem pudor”, “sem um pingo de credibilidade”.
Diante desta situação, ativistas australianos e anarquistas, queremos mostrar a nossa mais profunda alegria, porque alcançamos o fechamento desta exposição dos comerciantes da morte.
AnarCol
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Sankofa


Mais um pouco sobre a diferença entre valor e preço
Veja então:
Música da minha gente
http://musicadaminhagente.blogspot.com/
Radiola Urbana
http://www.radiolaurbana.com.br/
Original Funk Music
http://originalfunkmusic.com/
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
sábado, 13 de setembro de 2008
Entendimento
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
A diferença entre valor e preço.
Escutar o que você gosta grátis? Não têm preço!
Aqui vão blogs que estão repletos de preciosidades para todos os apetites nacionais e internacionais. Com o tempo vou divulgando outros links. Divirta-se! Compartilhe! Divulgue!
Eu Ovo
http://euovo.blogspot.com/
All Tribes
http://alltribes.blogspot.com/
Batuque brasileiro
http://batuquebrasileiro.blogspot.com/
Feijão tropeiro
http://feijaotropeiro.blogspot.com/
ps- minha sugestão só para fechar a questão. Passei muito tempo tentando encontrar algumas coisas de um dos melhores músicos do mundo, que foi o gênio Fela Kuti. E graças ao divino espírito santo protetor da boa música, encontrei não apenas o que estava buscando num dos blogs aí de cima, mas outras tantas que nem sabia que existiam!
Não conhece ainda? Tudo bem, as coisas podem se arrumar. Escute esse homem e seja muito mais feliz!
http://euovo.blogspot.com/2007/08/aquele-que-carrega-morte-no-bolso.html
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Coisas que dão certo!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Partidas
Nunca é tarde para falar de pessoas que certamente faram falta para a cultura, a arte e o pensamento crítico brasileiro. Passaram-se alguns dias, mas fica aqui meu muito obrigado por tudo que fizeram. Cada um a seu modo, mas imprescindíveis para uma vida melhor , para inspiração e para um mundo mais bonito.


No dia 5 de setembro foi a vez do jornalista e escritor Fausto Wolff. Dispensa maiores apresentações. Lembra de O Pasquim? Então, o homem estava lá criando a coisa. Escrevia regularmente no Jornal do Brasil, até que mudou um pouco o rítmo nos ultimos anos quando foi vítima de um acidente vascular cerebral. Sincero, irreverente e muito bem humorado fez história e encantou. Seu trabalho sempre foi admirável e um exemplo de bom jornalismo. Reproduzo aqui a última crônica de seu autoria publicada no JB:
Já escrevi em algum lugar que, enquanto não nos revoltarmos contra o conceito de democracia que considera sagrado o direito de uma minoria escravizar o resto, jamais chegaremos à condição de seres humanos. Seremos sempre caricaturas, títeres perdidos na ventania, sempre com cara de ?desculpe, não era bem isso que eu queria dizer?.
Enquanto não se der a revolução da humanidade contra a tirania, enquanto deixarmos que nos humilhem para que possamos continuar vivendo, teremos de suportar algumas imperfeições, certos espinhos colocados em nossos sapatos ainda na infância que não podemos ou não queremos tirar.
Uma dessas imperfeições é a constatação de que, à medida que envelhecemos, vamos nos tornando mais medrosos. Quando deveria acontecer o contrário: à medida que envelhece, o homem deveria tornar-se mais corajoso, porque mais sábio, mais justo, mais conhecedor dos seus deveres e direitos.
Quando eu tinha pouco mais de 20 anos, todos os dentes e era um sujeito bonito, era também dado a papagaiadas. Certa vez, ainda noivo (havia noivados e até virgens naquela época), estava no falecido Bar Castelinho, tomando um chope com minha futura mulher, quando um dos donos de uma revista para a qual eu escrevia sentou-se à nossa mesa e se comportou de forma grosseira.
Gentilmente, mandei que se retirasse, pois já tinha de aturá-lo o dia inteiro e não pretendia fazer isso quando estava namorando. Fui despedido no dia seguinte. Na hora, a sensação foi boa, mas eu era muito jovem para perceber que os rateios estavam contra mim.
Outra imperfeição: ser burro, viver e conhecer o mínimo do seu potencial energético interior e, além disso, ter de suportar a consciência da sua mortalidade. Algumas pessoas percebem isso, mas, como são ignorantes, aceitam o princípio nada otimista de que a vida é um absurdo porque acaba na morte e, como dizia Camus, o homem vive e não é feliz. Essa constatação é tão angustiante que, sem uma garrafa ao alcance da mão, é difícil resistir à tentação de não dar um tiro na têmpora.
Hoje em dia, em pleno século 21, a grande maioria de escravos aceita essa condição fingindo não saber dela, fingindo que a vida é assim mesmo. Uns entram com o pé e os outros com o popô, uns com o pescoço e os outros com a foice. Excetuando os psicopatas que, aparentemente, já nascem tortos, alguns poucos escravos se rebelam e saem fazendo bobagens: roubando, assaltando, matando, estuprando.
Quando isso acontece, todos ficam com cara de tacho, fingindo que não têm nada a ver com o peixe. Em seguida, os políticos pedem ?responsabilidade criminal aos 16 anos?. Logo, pedirão responsabilidade aos 15, 14 e cosi via. Cosi via significa que aumentará o número de crianças assassinadas ao nascer; aceitação literal da loucura religiosa de que o homem já nasce pecador. Claro que essa lei só valerá para crianças pobres.
Sou contra a pena de morte, mas, como a tragédia, mesmo quando coletiva, é sempre individual, o que eu faria se matassem alguém indispensável à minha vida? E se alguém tirasse a vida de uma pessoa e, ao fazer isso, me deixasse aleijado interiormente pelos anos que me restam?
Como não acredito na Justiça e também não acredito que podemos julgar oficialmente os efeitos sem punir as causas, eu simplesmente mataria o assassino. E o faria pessoalmente, com as minhas mãos.
Em seguida, cidadão exemplar que sou, me entregaria ao juiz. Não teria resolvido nada, mas como sou humano em estágio ainda bárbaro, pelo menos isso atenuaria um pouco a minha dor.
Como vejo a coisa hoje? Dêem a chefia da portaria de um edifício ao mais dócil dos empregados e logo ele se tornará um tirano para agradar ao poder imediatamente acima dele.
O poder ama a si mesmo e aos poderosos. É tão implacável na sua injustiça que consegue convencer mais de 100 milhões de brasileiros adultos de que devem escolher entre o algoz da esquerda e o da direita. E nada acontece.
Mobilização e contestação na terra do Tio Sam ou um pouco do perigo de viver em uma falsa democracia

Pessoas desaparecidas, humilhadas, torturadas e presas na maior operação policial realizada nos Estados Unidos desde a “Batalha de Seattle”, em dezembro de 1999. Anarquistas foram os alvos principais da repressão do Estado.
A Convenção Republicana, em St. Paul (Minnesota), acabou dias atrás e registrou o dobro de prisões de manifestantes que durante os quatro dias da Convenção Democrata, na semana passada.
Calcula-se que, somando as duas convenções, cerca de 1000 ativistas foram presos, só no último dia da Convenção Republicana, durante uma marcha anti-guerra, 400 pessoas foram detidas, a maioria jovens anarquistas.
Segundo relatos, durante os dias da Convenção Republicana, que concentrou os maiores protestos, desde pacíficos à intensos, pessoas desapareceram, foram humilhadas e sofreram sessões de tortura, sendo espancadas com pedaços de madeira, chutadas e sofrendo todo tipo de tormento psicológico em distritos policiais e nos “becos escuros” das ruas de St. Paul.
Há relatos também de casas de anarquistas invadidas por policiais sem identificação, em busca de material “criminoso”, tais como folhetos, livros, revistas...
Alguns anarquistas foram acusados de conspiração, enquadrados na Lei Patriota (Patriot Act) contra o terrorismo, criada por George W. Bush, e podem ser condenados a pegar até oito anos de prisão.
A Convenção Republicana contou com o contingente policial de 3.700 homens, inclusive do FBI, fortemente armados, com cassetetes de madeira, bombas de efeito moral, spray de gás-pimenta, laser e outros utensílios. Vindos de diversas partes dos Estados Unidos, como Texas, Arizona, Nova Iorque, Flórida e Califórnia.
Antes de começarem as manifestações, grupos de policiais à paisana, se infiltraram nas concentrações e tiraram fotografias e vídeos dos ativistas.
agência de notícias anarquistas-ana
sábado, 6 de setembro de 2008
Ikura dessu ka.

Na minha opinião, isso cria tantos problemas, com as consequências de uma vida voltada apenas ao trabalho, com comprometimento da sociabilidade e do lazer, podendo isso ser no mínimo algo bem triste. Não posso imaginar a quantidade de gente adoecendo fisica e psicologicamente por aqui. O uso de drogas é também bastante elevado. Quadros de depressão idem e você percebe facilmente isso numa conversa de 10 minutos. Conheci jovens com menos de 25 anos que precisam beber todos os dias para dormir. Outros que apelam para o “cristal” (um tipo de estimulante a base de quetamina muito parecido com o ribiti utilizado por alguns caminhoneiros brasileiros para ficarem acordados) num esforço de se manterem inteiros numa jornada de 24 horas de trabalho. Já conheci gente que fez 36 horas de trabalho direto! Normal encontrar gente que trabalha 29 dias por mês.
Mas isso tudo apenas para dizer um pouco mais como a vida por aqui pode ser dura e cara, e uma vez mais, contribuir para a desmistificação de que viver em um país onde a economia é supostamente mais consolidada, a vida é mais facíl.
E como falei antes, ninguém é de ferro. Vai uma cervejinha aí?
Geralmente os bares oferecem uns 3 tipos de cerveja japonesa, além da famosa nama biru, que nada mais é que um chop, e as vezes um ou dois tipos importadas. Se é um bar mais moderninho e descolado, temos o dobro de escolhas da gelada. Na verdade nem sei se dá pra falar isso aqui, porque para quem está acostumado a beber a loirinha próximo a 0ºC, a ponto de congelar, acaba tendo uma certa limitação e frustração. A cerveja nunca é servida assim, e para o gosto brasileiro, muitas vezes ela esta quente.
A cerveja japonesa, que vem numa garrafa de 600ml custa em torno de 500 yens, algo próximo a 4,70 dólares. A caneca do chopp, com 450 ml uns 550 yens, que vale uns 5 dólares. Já as importadas, sempre long neck, custam uns 650 yens, perto de 6 dólares. Quanto você acha que precisa para sentar num bar e beber sem se preocupar com a conta? Meia dúzia de “chopp sem pastel” (uma quantidade razoável para algumas horas com os amigos, não?) te custam uns 3.000 yens, algo em torno de 27 dólares. Apesar do preço é uma boa cerveja. Geralmente mais amarga e incorpada que a maioria das cervejas brasileiras. Existe também uma variedade grande de algo que estaria entre a cerveja e o chopp. Muito mais barata que a cerveja convencional, mas com uma qualidade bem inferior. São populares pelo preço e fáceis de encontrar, principalmente nas lojas de conveniência, ótimo para quem está voltando pra casa, quer tomar mais uma, mas tem pouco dinheiro no bolso.
Bom, pelo que me lembro, com essa mesma quantia de dinheiro no Brasil, tomava um porre homérico para ficar de ressaca uns 3 dias! E por favor não me venham falar dos bares da Vila Olímpia ou mesmo alguns da Vila Madalena em são Paulo, que aí tudo muda de figura. Tô falando das escolhas nos butecos do centro, da República, da Zona Norte, da Barra Funda, lugares por onde andava e bebia sem muita preocupação com a conta. Os preços que descrevi aqui no Japão são sempre esses e mudam muito pouco de um lugar para o outro.
E quando vierem para os lados da terra do sol nascente, diga apenas “Biru onegaishimasu!” = “Uma cerveja, por favor!”, no resto tudo se dá um jeito. E diga também “Kampai!”, nunca tim-tim, porque é assim que eles chamam o orgão sexual masculino e isso pode criar um pequeno constrangimento para os anfitriões japoneses. Ou diga, só pra ver a cara do povo e tirar um sarro disso depois... inté!
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Dia mundial sem carro!

No próximo dia 22 de Setembro, milhares de cidades ao redor do planeta participam da jornada de reflexão sobre o uso do automóvel.
O Dia Sem Carro de 2008 cai em uma segunda-feira e, no Brasil, em ano eleitoral. Uma combinação interessante, já que na terra brasilis segue vigorando a Carrocracia, ou ditadura do automóvel.
Menos de um terço da população paulistana possui automóveis. Mesmo com o sensível agravamento dos impactos causados pelo excesso de automóveis em nossas cidades, é difícil encontrar um governante que tope “comprar briga” com a minoria motorizada o Deus Carro, restringir a circulação de motores durante um dia ou ao menos dizer que o automóvel e seu uso excessivo são problemas graves (preferem dizer que é o trânsito, o ar seco, a chuva, os caminhões…).

O Pedal Cultural tem saída pontual às 9h da manhã, da Praça do Ciclista.
Setembro é mês de resgatar a cidade e devolvê-la às pessoas. Participe!
-retirado de http://apocalipsemotorizado.net/
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Imperdível! Adquira já o seu.

O período de alienação e propaganda eleitoral para a escolha de prefeitos e vereadores em todo o Brasil já começou. Programas, slogans e discursos já estão sendo bombardeados em todo o País oferecendo o “paraíso”. Vote X e terá transporte gratuito. Vote Y e terá saúde. Vote W e os impostos diminuirão. Etc. Etc. Etc. O/as anarquistas recusam-se a fornecer tais cantinelas, a cair no mero jogo de palavras, do charlatanismo político. Além de uma desonestidade, ele/as acreditam que ninguém tem a solução na manga para resolver todos os problemas da sociedade. No documentário Existe Política Além do Voto?, os autores nos chamam à reflexão crítica sobre o estrume eleitoral. A ANA teve uma conversa rápida com um dos realizadores do vídeo. Leia a seguir.
Agência de Notícias Anarquistas > Sobre o vídeo de vocês "Existe Política Além do Voto?", falem um pouco a respeito, do que se trata, quais os objetivos de produzi-lo...
Juliano Gonçalves da Silva < O Existe Política Além do Voto? busca responder uma dúvida existencial: será que tudo que existe é sagrado e não deve ser mudado ou revisto justamente por ter sido sempre assim ou pelo contrário tudo deve ser dito, rediscutido e desconstruído pra estruturação de uma melhor vida social coletiva? Os objetivos foram o de utilizar as novas técnicas da comunicação a favor da Anarquia, propiciando uma ferramenta de inserção social e um diálogo mais fluído com o povo, na medida em que grande parte da população brasileira é analfabeta, e por outro lado tem uma alfabetização visual (graças até a rede Bobo e seu padrão de "qualidade") e cultura oral de ampla tradição. Além disso, a produção do documentário visava conformar mais um dos diversos materiais que coletivamente produzimos nas ultimas eleições pelo Comitê Agora é Luta!, composto entre outros pelo grupo Rusga Libertária para a campanha: Não vote, Anule, Lute! Que incluía panfletos, cartazes, pixações-graffitagem, artigos em jornais, debates, camisetas e santinhos em Cuiabá/Mato Grosso.
ANA > E o que motivou vocês a fazerem o vídeo?
Juliano < A visão de que arte tem uma função na sociedade e que esta pode ser inclusive a de questionar os elementos sagrados da própria sociedade. Eu particularmente estava com o lema de uma idéia na cabeça e uma câmera na mão, além do compromisso e engajamento do cinema com a transformação da sociedade. Isto junto com o a crítica a institucionalização estatal cinemanovista no Brasil e os elementos sarcásticos e anárquicos do cinema marginal cujo lema é se não pode mudar, então vamos avacalhar. Cabe ressaltar que fazer cinema no Brasil é algo muito difícil e fazer cinema sem dinheiro público e autonomamente então nem se diga. Os grupinhos que ficam atrás da grana pública são muito fechados e mancomunados com os poderes e poderosos. Ainda não temos uma filmografia anarquista constituída no Brasil, que me venha à cabeça temos os já clássicos: Os Libertários do Eduardo Escorel, O Pão Negro e Os episódios da Colônia Cecília, além de documentários sociais recentes, diferentemente do cinema mundial como já foi sistematizado no excepcional livro ainda inédito em português: Cine e Anarquismo – La utopia anarquista en imágenes, de Richard Porton.
ANA > Quanto tempo levou para produzir o vídeo? É um vídeo no estilo "faça você mesmo"?
Juliano < Pra fazer o filme foi jogo rápido, creio que um mês, sob a pressão da campanha que tocávamos paralelamente com diversos compas. Sim, façamos nós mesmos coletivamente, queríamos desconstruir a idéia autoral tradicional e a ilusão da montagem, diminuindo a quase zero efeitos e trucagens, por isso só usamos cortes secos. O exemplo da produção coletiva dos filiados ao Sindicato de Cinema ligado a CNT da Espanha, que recentemente circulou o Brasil (que, aliás, tá na mão pra disseminarmos), da Mostra de Cinema Anarquista produzido durante a Guerra Civil Espanhola nos guiou. E as brincadeiras que fizemos no filme como a dessincronização (a lá Tri-min-há) entre sons e imagens denunciam este engodo. Enfim, já basta de cortes molhados melodramáticos e do domínio da edição nos filmes, lembremos que existe cinema também além de Róliiude e nós fazemos o melhor cinema brasileiro do mundo.
ANA > Alguma curiosidade ou dificuldade enfrentada ao fazê-lo?
Juliano < A desconfiança de dar depoimentos discordantes que vão contra o consenso fabricado como diria Chomsky é hoje cada vez maior, a câmera intimida mais que aproxima, o medo reina na sociedade, mas em finais de 2006 a roubalheira e a indignação era tanta que conseguimos registrá-la no filme. Isso dificulta a integração antagonista, mas é um reflexo da apatia generalizada da sociedade. Há momentos do filme em que nos deparamos com a precariedade como no microfone que tem que ser operado pelo entrevistador, ao mesmo tempo, que faz as perguntas e tem que estar quase dentro do entrevistado em função da inexistência de boom direcional, o que nos obrigou a sermos criativos pra superar a nossa precariedade e tirar o melhor proveito dela. Mas esta é a nossa condição de latino-americano e da miséria das condições técnicas, tirar leite de pedras tem sido a nossa contribuição ao cinema mundial, vide a "estética da fome" e mais recentemente "a cosmética da miséria", assim as dificuldades desta ordem não são a exceção e sim a regra.
ANA > Como as pessoas podem conseguir uma cópia do DVD?
Juliano < Mandando uma mensagem pro agoraeluta@yahoo.com.br ou carta pra Caixa Postal 10062, Cep 88062-970, Yjureré Mirim/SC, com dois reais camuflados (coloquem dentro de um papel carbono), que cubra os custos do DVD e do envio postal. Foda-se a propriedade intelectual, é mais um roubo como diria Proudhon, talvez tenhamos problemas com a Ancine e a Programadora Brasil. (risos) Mas acreditamos que os filmes existem para serem vistos. Creio que o Existe... é um bom ponto de partida pra reunir os amigo/as, vizinho/as e conhecido/as da comunidade e discutir o que fazer frente a mais este circo eleitoral que se aproxima. Assim podemos coletivamente desmascarar esta farsa que ganham os de sempre a partir da fala do próprio Ceará no vídeo: "pra se vencer uma eleição só é preciso duas coisas, muito dinheiro e muita mentira". E finalmente tomar-nos nosso destinos em nossas mãos, como mostram outros exemplos pelo mundo. Mais recentes como a Outra Campanha e a Comuna de Oaxaca no México, o movimento popular argentino "Fora todos que não reste nem um só", a mobilização Boliviana pela água-gás ou menos recentes como as coletivizações na Espanha, os marinheiros em Kronstant , Makno e a Golai Polei, as Comunas de Paris e as barricadas do desejo do 68, e tantas outras experiências de autogestão social com democracia direta. Que evidenciam a ineficácia, ineficiência e incompletude dessa dita democracia que estamos vivendo.
ANA > Quer acrescentar mais alguma coisa?
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Quanto custa?
As pessoas olham para o que se ganha, imaginam esse dinheiro para a relidade brasileira, mas são incapazes de ver o que se gasta aqui e o custo de vida. Então hoje resolvi falar sobre isso e dei um pulinho no supermercado mais perto da minha casa e que é considerado um dos mais baratos na região. E gostaria de compartilhar isso com vocês. Penso que com a comida temos um bom exemplo para saber como é parte dos gastos do cidadão comum na segunda maior economia do mundo. Escolhi algumas coisas aleatoriamente, e outras nem tanto, para que vejam como a gente vive por aqui. Aí vai:
Uma laranja = 88 yens que é + ou – 1 dólar

Um abacaxi = 298 yens que é + ou – 3 dólares

Um kiwi = 78 yens que é quase 1 dólar

Uma maça = 128 yens que é + ou - 1,50 dólar

Um pimentão = 198 yens que é + ou – 2 dólares

Dois pessegos = 398 yens que é + ou – 4 dólares

Duas peras = também 398 yens ou 4 dólares

Bandeja com 5 figos = também 398 yens

Um pacote de pão de forma com 6 fatias = o mais barato 198 yens que é uns 2 dólares e o mais caro 228 yens que é uns 2,50 dólares.
Obs: repare nas etiquetas coladas nos pacotes. Quando a validade se aproxima de vencer o preço abaixa.

E agora um dos meus prediletos!
Um melão, dos mais barato = 588 yens, que é uns 6 dólares


Já vi melão nesse mesmo supermercado de 10.000 yens, algo como 100 dólares! As vezes a melância também custa isso. Em Tokyo já encontrei uma cesta de frutas, com uma de cada que lhes mostrei aqui, que custava 50.000yens! Algo perto de 500 dólares. Maluco, não? Acho que se eu mesmo não encontrasse isso não teria acreditado. Algumas frutas aqui, dependendo da época, do tamanho, da colheita, passam a ser artigos de luxo, um presente especial para alguém que você gosta muito ou tem muita gratidão.
E talvez você pense que são frutas bem saborosas, com um gosto único, certo? Errado! Como o Japão não produz quase nada dessas coisas aqui, as frutas passam por um processo artificial de amadurecimento. São colhidas verdes em algum país da Ásia, ou América Latina, e já dentro dos navios começam a receber vários produtos para conservar sua aparência, mas quanto ao sabor...
Até hoje quase não encontrei lugares que façam suco natural, direto da fruta. Uma das raras vezes que encontrei isso não tive coragem de comprar nem um copo de 300ml de suco de laranja. Sabe quanto? 450 yens, uns 5 dólares. Nos estabelecimentos comerciais, seja restaurante, um café, uma lanchonete, o suco natural é uma coisa que não existe. Tudo é de caixinha, pausterizado ou uma mistura de algum concentrado.
Por essas e outras a vida por aqui é bem dispendiosa e para fazer uma grana e voltar pra casa é necessário abrir mão de várias coisas nesse sentido. Bom, depois se houver tempo conto mais sobre essas diferenças.