terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cidinha da Silva estréia na literatura infanto-juvenil e apresenta sua obra em São Paulo!


A escritora mineira, Cidinha da Silva prepara o lançamento de mais um livro: Os nove pentes d’África. Desta vez, a autora direciona sua criação, a quarta, ao público infantil e juvenil. A publicação será apresentada, pela primeira vez no país, em noite de autógrafos na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, em sua 55ª edição.

Com um texto pautado pela emoção, em que a prosa a cada linha é pura poesia, a mais recente obra literária de Cidinha da Silva terá, com certeza, leitura disputada pelos adultos. A história construída em 56 páginas, com ilustração da atriz e artista plástica Iléa Ferraz, é lançamento da Mazza Edições, editora de Belo Horizonte, Minas Gerais.

A micro apresentação de seu novo livro, Cidinha da Silva expressa que Os nove pentes d'África" tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá, personagem condutor, são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa.

O livro de Cidinha da Silva cativa pela descrição minuciosa do universo das relações familiares, pela reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. A motivação criadora, segundo Cidinha da Silva, veio de casa, dos pequenos da família “e em especial, de uma sobrinha que, aos seis anos, em processo de alfabetização, soletrava as letras do Tridente - referência ao seu segundo livro Cada Tridente em seu lugar” -. Aquilo me comovia e angustiava. Expliquei que se tratava de um livro para adultos, por isso as letras eram pequenas e daí sua dificuldade para ler. Ela então me perguntou: “- Tia quando você vai escrever livros para crianças?”.

Era a senha que faltava para a escritora mergulhar nesse novo processo criativo. Ela está fascinada pela experiência. “Creio que farei este caminho por algum tempo. Estou determinada a ser lida pelos pequenos da minha casa, enquanto são pequenos, e fico felicíssima quando minhas sobrinhas e irmãos levam meus livros para a biblioteca da escola em que estudam, ou quando encontram meus livros por lá e vêm me contar. É delicioso sentir que eles têm orgulho de mim e agora poderão ler minha literatura sem esforço, apenas por prazer”.

Outras publicações da autora – “Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras”, de 2003, um livro de ensaios organizado por Cidinha da Silva com a parceria de sete outros autores e autoras. “Cada tridente em seu lugar”, já em segunda edição (2006/2007), é o primeiro livro de ficção. Em 2008, Cidinha da Silva publicou “Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor”, um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, que gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor e do corpo.

Serviço

O que é: Lançamento do livro de Cidinha da Silva: Os nove pentes d´Áfric

Quando: 21/11/09

Horário: 20:00

Onde: ODUN Formação e Produção - Rua Jardim Francisco Marcos, N.180, Bela Vista
Informações: (11) 31057247


domingo, 15 de novembro de 2009

Pixo

Um filme de João Weiner e Roberto Oliveira

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vai ser em Sampa também!

O novo livro de Cidinha da Silva estará sendo lançado em São Paulo em breve. Os nove pentes d'África (ed. Mazza) estará com a autora dia 21/11, às 20:00, na Odun - Formação e Produção e dia 23/11, às 19:00, na Casa das Áfricas. Em breve mais notícias!
"Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até e cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é. Pelo que nós somos: família, solidariedade e contradição na difícil tarefa de encontrarmos, cada um, nosso papel de levar adiante a história coletiva e ao mesmo tempo afirmar o traço intransferivelmente pessoal do indivíduo. Estar com a mãe e nascer, ser da famíla e ir embora, constituir a sua própria (que ainda é a mesma). É aí que mora o penteado: saber qual é o pente que te penteia. Para os mais jovens, a quem se destina a princípio este livro, mas também para os nem tão jovens assim são generosas as pistas sopradas ao nosso ouvido por essa contadora de história. Escutadora atenta, agora vem a griot nos atentar doce e profundamente. Vem aqui nos alentar deschavandos e nos ajudando a achar laços nesse desconchavado mundo. Vem reforçar nossas ligações básicas, comunitárias, domésticas. É tão certeiro e tão bem-vindo esse livro que lê-lo me encheu de orgulho e admiração. Pelo tema e pela forma. Sei que os próximos leitores de "Pentes" sentir-se-ão gratos a Cidinha da Silva, como eu". (Chico César, compositor).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

De São José

Aconteceu numa das tardes que caminhava pelo centro da cidade. Tenho uma "janela" logo após o almoço e costumo caminhar pelas ruas de São José dos Campos que me são mais acessíveis para conhecer melhor a cidade onde trabalho. O centro, seja de qual cidade for, sempre me interessa. Alí sempre está concentrada uma espécie de democracia direta, é o lugar que reúne a diversidade e que revela bem a cidade a qual pertence. O centro precisa conviver com a diferença, ele é a convergência, a aglutinação da diversidade por excelência. Enfim, adoro o centro! O de São José revela essa particularidade também. Simultaneamente é o típico interior paulista com um tanto da metrópole, da conversa tranqüila do caipira e do passo acelerado dos comerciantes. A principal praça do centro de São José é a Afonso Pena. Bem cuidada e arborizada, possui uma fonte central, é cercada por algumas lojas de armarinhos, móveis e eletrodomésticos, agências bancárias, um restaurante, uma escola, um distrito policial, algumas bancas de jornal e livros usados, barraquinhas de lanches a preços populares e parte do Banhado, principal cartão postal da cidade de onde se pode ver o pôr do sol. Os tipos que a habitam também são bem ecléticos e são esses que me interessam mais. Estão por alí no horário comercial, inúmeros trabalhadores do comércio, estudantes, donas de casa, senhores com chapéu de palha e trabalhadoras do sexo. Realmente me chamou atenção essa atividade por lá, mas é isso mesmo. Estão em um dos cantos da praça as crianças brincando no chafariz, no outro os idosos papeando e jogam baralho, e em outra parte, as trabalhadoras do sexo que oferecem seus serviços para que estiver interessado. Muito tranquilas, discretas e educadas, permanecem sentadas na mureta do jardim, ou em pé, sozinhas, em dupla ou trio, esperando a abordagem dos clientes. Como disse, numa tarde dessas caminhando pelo centro, depois de comprar um sorvete, resolvi sentar num dos bancos próximo as meninas para pensar sobre os problemas da existência que afligiam minha alma naquele momento. Não me dei conta quando uma delas sentou no mesmo banco que eu. Não disse nada. Nem ela. Passados alguns segundos ela me fala:

-Vamos?
-Obrigado, mas acho que não.
Alguns segundos depois pergunto:
-E quanto é?
-40, mais 10 do hotel.
-E você fica sempre aqui?
-Todos os dias, de segunda a sexta, das 9:00 às 18:00.
-Horário comercial mesmo. Não trabalha a noite?
-Não, tenho que cuidar da casa, então só de dia.
-Entendi.

Ela se dando conta que alí não tinha cliente também não disse mais nada. Ainda assim me tratou com simpatia e permaneceu sentada olhando as crianças brincando. Terminei meu sorvete, me despedi com um "até logo" e um aceno de mão e voltei a caminhar em direção a meu trabalho.
Vim a saber depois por uma de minhas alunas, joseense nativa de quase trinta anos, que a praça é ponto dessas trabalhadoras antes mesmo dela nascer. Interessante, não? Fico intrigado para entender melhor dessa convivencia entre tantos tipos distintos numa cidade como São José. Talvez, como disse antes, seja a beleza e o encantamento das diferenças do centro que permita essa aglomeração de identidades tão múltiplas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Após o Zapatismo


"FHC: O Filho da P..." - A Nova Superprodução do Cinema Nacional.

Incomodados com a repercussão que o filme “Lula, O Filho do Brasil” está tendo mesmo antes de sua estréia, os principais líderes demo-tucanos decidiram dar o troco produzindo uma cinebiografia de seu guru-mor: o "príncipe dos sociólogos" Fernando Henrique Cardoso - primeiro e único. Financiado com recursos provenientes do governo do Rio Grande do Sul, do Banco Opportunity, de sobras de campanha e de uma graninha que restou de um capilé que a CIA mandava para o biografado na década de 70, o filme “FHC, o Filho da P...” já nasce como um clássico do cinema (trans) nacional. Reunindo um elenco estelar, a película recebeu aplausos unânimes dos críticos dos principais veículos de comunicação do país. O único dilema desta crítica especializada foi saber de que forma classificar o filme: se como terror, como drama ou como policial. O “Abobrinhas Psicodélicas”, em mais um furo de reportagem, publica em primeira mão o cartaz e a ficha técnica desta obra que, definitivamente, entrará para os anais (ops!) da sétima arte. Portanto, não deixe de ampliar a imagem abaixo para apreciar os detalhes deste belíssimo cartaz, que faz juz à estatura intelectual e política do homenageado.


Ficha Técnica:

Título Original: “FHC, The Son of B…”

Gênero: Drama/Terror/Policial

Produção: Brasil/EUA

Ano: 2010

Direção: Arnaldo Jabor

Distribuição: Globo Filmes e FMI Pictures

Direção de Arte: Nizan Guanaes

Efeitos Especiais: Hans Doner

Roteiro: Ali Kamel e Diogo Mainardi

Inspiração Espiritual: Roberto Marinho (psicografado por Ana Maria Braga)

Trilha Sonora: Caetano Veloso (incluindo a música-tema: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, na voz e no violão deste grande compositor e intelectual baiano)

Figurinos: Merval Pereira

Moça do Cafezinho: Miriam Leitão

Elenco: FHC (o próprio), Daniel Dantas, Gilmar Mendes, Geraldo Brindeiro, Ronivon Santiago, Ricardo Sérgio, José “Nosferatu” Serra, Herr Jürgen Bornhausen, Carlos Augusto Montenegro, Ronaldo “little jet” Sardenberg, Celso “no shoes” Lafer, Eduardo Jorge.

Participações Especiais: Miriam Dutra e Regina Duarte

terça-feira, 10 de novembro de 2009

As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio

CONTARDO CALLIGARIS
Folha de S. Paulo - Ilustrada - 5/11

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.

O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.

A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".

Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.

Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".

Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.

Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".

Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.

Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.

O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.

A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.

Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?

Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.