estariam proibidas a muito tempo.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
II Congresso Brasileiro de Saúde Mental
No âmbito científico o campo da saúde mental é tradicionalmente fragmentado e socialmente representado, por especialidades clássicas como Psiquiatria, Psicologia, Enfermagem Psiquiátrica, Terapia Ocupacional e Serviço Social. Novos atores sócio-profissionais estão presentes neste campo, entre eles a Educação Física, a Pedagogia, as Artes Plásticas e a Fisioterapia, além de outros setores, como sistemas de Educação, de Cultura e de Justiça. São ainda atores sociais importantes na área da saúde mental os movimentos sociais como o Movimento da Reforma Psiquiátrica e o Movimento da Luta Antimanicomial e os movimentos artísticos.
Estes desafios têm sido amplamente reconhecidos no contexto dos vários dispositivos de desenvolvimento do campo da Saúde Mental.
Portanto, a realização do II Congresso Brasileiro de Saúde Mental é uma iniciativa amadurecida e plenamente legitimada. O evento tem o potencial de promover, historicamente, as aproximações necessárias dos diversos atores sociais, usuários, familiares, profissionais, acadêmicos e artísticos que fazem deste campo de práticas e saberes um dos mais vibrantes no âmbito do Sistema Único de Saúde. Desta forma a realização do II CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE MENTAL atende a uma necessidade na perspectiva da consolidação de um sistema de saúde, que tem como princípios a integralidade, a universalidade de acesso e a descentralização.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Acontece no Bar Saci
28 de abril - quarta -feira
Música na vitrola! Traga seu vinil.
Entrada livre
29 de abril – quinta-feira
Samba do BULE!
couvert: 5 reais
30 de abril – sexta-feira
DJ Serejo do Projeto Ocupeacidade a partir das 19h!
entrada: grátis
01 de maio -sábado
MARÍLIA DUARTE (voz) e MOACIR BEDÊ (violão)
Música Brasileira de Qualidade
Música ao Vivo das 19h as 22h
couvert: 5 reais
http://moacirbede.com.br/
Veja mais:
http://barsaci.wordpress.com/
terça-feira, 27 de abril de 2010
Da melancolia a escolha.
O perigo da história única
domingo, 25 de abril de 2010
Autonomia
(chegou aqui graças a Ju)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Ouçam todos!
"Limpeza" do centro.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100416/not_imp539044,0.php#noticia
O Estado de S.Paulo
Depois da desastrada reforma do sistema de albergues, que vem reduzindo as vagas disponíveis para moradores de rua e causou espanto por sua insensibilidade no trato de uma questão particularmente delicada, tendo em vista seus aspectos sociais e humanos, a Prefeitura da capital acaba de tomar uma segunda medida igualmente infeliz em relação a essa população desamparada. Portaria publicada no dia 1.º de abril regulamenta os procedimentos a serem observados pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) no trato com os moradores de rua, cabendo-lhe "contribuir para evitar a presença de pessoas em situação de risco nas vias e áreas públicas da cidade e locais impróprios para a permanência saudável das pessoas". Isto deverá ser feito por meio da "abordagem e encaminhamento das pessoas, observando as orientações da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social".
Isto quer dizer, como explica Bruno Paes Manso em reportagem publicada no Estado de quarta-feira, que os guardas poderão incomodar os moradores de rua, para levá-los a deixar essa condição. Uma das formas de fazer isso é o chamado "toque de despertar". Em vários locais do centro da cidade - como a Praça da Sé e em frente à Bolsa de Valores -, os guardas estão acordando diariamente os que dormem deitados nas calçadas. Eles podem ficar ali, desde que sentados.
Por trás dessa maldade à primeira vista pequena - mas que na verdade é uma revoltante forma de sadismo, por serem as suas vítimas quem são - está uma mudança profunda na maneira de a Prefeitura tratar o problema dos moradores de rua. Na região central, serviços públicos e instituições religiosas proporcionam alimentação, banho e até oficinas de capacitação a essa população, o que constituiria um incentivo para que ela se acomodasse. A ação da GCM seria uma maneira de forçá-la a sair da condição atual.
Isto é confirmado por um inspetor da GCM ouvido pela reportagem, que preferiu por razões compreensíveis manter o anonimato. O próprio secretário de Segurança Urbana, Edson Ortega, admite isso indiretamente, ao concordar que o "incômodo" causado àquela população tende a estimulá-la a deixar a rua. Segundo ele, os moradores de rua estão procurando cada vez mais os serviços sociais oferecidos pela Prefeitura. Ora, se esses serviços são tão bons, seus beneficiários não precisam ser empurrados para eles por meio dos tais "incômodos".
Diz o secretário que os responsáveis por essa nova política não estão inventando a roda, pois "os países mais desenvolvidos seguiram essa linha". Ele não está bem informado. Em Paris, como mostra a reportagem, várias ONGs doaram, em 2006, 500 barracas vermelhas para os sem-teto pernoitarem perto dos pontos turísticos da cidade e, assim, chamar a atenção do poder público para o seu problema. O que fez o governo francês? Em vez de mandar a polícia "incomodar" os sem-teto, para incentivá-los a mudar de vida, decidiu investir 7 milhões na construção de moradias para eles.
Algo semelhante deveria fazer a Prefeitura paulistana. Até porque existe toda uma estrutura montada para socorrer essa população. Entre 2002 e 2009, os recursos disponíveis para isso passaram de R$ 201,6 milhões para R$ 615,8 milhões. Um contingente de 452 agentes de proteção social, com o apoio de 40 Kombis, está apto a dar assistência aos moradores de rua e encaminhá-los aos albergues.
A nova política do "incômodo", do "toque de despertar", veio se juntar à reforma do sistema de albergues, que, com o fechamento de dois deles, já reduziu suas vagas de 8 mil para 7.300, justamente quando estudo promovido pela própria Prefeitura indica que o número de sem-teto está aumentando. Essas duas medidas parecem dar razão, infelizmente, aos que vêm acusando a Prefeitura de querer "limpar" o centro. Ou ela dá logo alguma explicação para atitudes marcadas por uma insensibilidade que beira o inacreditável ou não haverá como contestar tal acusação.
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Posto também os comentários vomitados no site: (É de assustar!!!!)
10 ANTONIO ESTEVAO
16 de abril de 2010 | 12h 08Denunciar este comentário
chega de ter esta atitude hipócrita "cristã" de sempre carregar no colo estes parasitas bebados e drogados, eles que tomem jeito na vida, a vida é dura para todos, concordo interiramente com a prefeitura chega de falsas bondades, vamos encarar a realidade, os moradores de rua são párias da sociedade que não querem ser ajudados
9 Suzy Q
16 de abril de 2010 | 9h 55Denunciar este comentário
As ONGs levam alimento diretamente aos sem-teto, eles não têm nem o trabalho de procurar. A prefeitura faz com que alguma coisa eles façam da vida, pelo menos que procurem subsistência.
Não é justo que a prefeitura dê moradias para os sem-teto que, em sua maior parte, vem de outros estados do país e o pagador de imposto não tenha nenhuma ajuda no financiamento de sua casa.
O que tem de ser feito é um levantamento do estado de origem destas pessoas. A partir daí se tem duas opções: ou ela volta para sua terra ou seu estado de origem banca moradia decente para ela aqui.
Por que temos sempre que arcar com os custos do Brasil inteiro? Sem-teto, sem-terra e, principalmente, sem-vergonha.
8 flavio guarniero
16 de abril de 2010 | 9h 15Denunciar este comentário
Dessa vez o editoralista errou feio em sua crítica. Devemos adotar tolerância zero nas ruas da cidade,e criminalização as famílias que abandonam seus entes a própria sorte,adultos e crianças.Jogar a responsabilidade nas costas da Prefeitura e dos contribuintes para sustento dessa gente toda é fácil...É uma pena o jornal baixar a esse nível de pensadores.
7 Marcos Martins Nonato
16 de abril de 2010 | 9h 08Denunciar este comentário
Fico muito triste em ver que a solução para tentar resolver os problemas da degradação das pessoas é com políticas desse tipo. Quando se tem oportunidades e uma família bem estruturada é muito fácil tomar partido de um governo que toma atitudes como essa. Agora, gostaria de ver os senhores nascendo e vivendo em famílias desestruturas e destruídas, sem esperanças e perspectivas... Será que teriam um pingo desse pretensa força de sair da situação em que se encontram... senhores falar é fácil. O difícil é resolver o problema levando em consideração a dignidade da pessoa humana, pois não estamos falando de animais irracionais! Estamos falando de gente.
6 Naposi Napo
16 de abril de 2010 | 8h 58Denunciar este comentário
Os moradores de rua estão acomodados à sua triste situação. Quem já trabalhou com essas pessoas, em geral afirma que eles simplesmente não querem, ou não sabem como, mudar.
Incentivar uma mudança de comportamento requer reforço positivo e negativo.
O positivo está sendo feito através das instituições que oferecem apoio.
O negativo está sendo feito através das ações que mostram não ser a coisa pública uma "casa da maria joana".
Os editoriais do Estadão, na sua maioria absoluta brilhantes, desta vez pecou pela defesa da dignidade humana com argumentos incompletos e superficiais.
5 Cris Rocha Azevedo
16 de abril de 2010 | 8h 46Denunciar este comentário
Insensibilidade é considerar que serem humanos possam e devam viver como animais, nas calçadas da cidade. Há lugar para eles. A prefeitura tenta convencê-los por bem a ir para os albergues, mas todos sabem que não tem poder para obriga-los. Há inclusive crianças, ali, vivendo com seus pais sem banho, sem escola, sem comida, sem cama. Eles devem, sim, ser forçados a reencontrar a dignidade de teto, banho e comida, ao menos. Se não vão por bem, valem os métodos dissuasivos como o proposto. Muitos deles, se sabe, perderam o discernimento, pelo abuso de drogas e álcool, e outros têm problemas psíquicos A realidade mostra que dificilmente saem deste estado sem que sejam induzidos a fazê-lo. Ademais, as ruas são espaços públicos. Público quer dizer "do uso de todos" e não se pode obrigar a população a conviver e aceitar a sujeira e a degradação humana em espaços que não foram criados para abrigar pessoas. Nos acostumamos com o discurso vazio e demagógico dos "padres de passeata" - que não abrem suas igrejas para dar abrigo àquelas pessoas, note-se - e políticos "ongueiros", para quem esta pobre gente representa dinheiro em caixa, deixando de perceber que mantê-las ali, sim, é uma crueld
4 Ricardo Nunes
16 de abril de 2010 | 8h 42Denunciar este comentário
Sou a favor deste método adotado pela prefeitura. Diante desta Constituição de Centro Esquerda a qual rege as leis contidas nos Estados e dos Municipios país afora, medidas enérgicas como esta, gera um certo mal estar entre todos da sociedade, porem, de alguma forma, pode ser interessante a medida que demonstra, de certo modo, que não é interessante morar nas ruas.
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É sabido que há muitos mendigos que trabalham como sucateiros e outros como pedintes. Conseguem renda o suficiente para sair desta infeliz situação. O que não pode é o governo ficar injetando muito dinheiro publico, verba que poderia ir para a educação e saúde para os contribuintes, e jogar dinheiro pelo ralo, pois, segundo a prefeitura, diversos albergues geram mais gastos do que realmente resultados, afinal, amparados por uma lei ridicula, eles não são obrigados a se tratarem. Preferem "morar" nas ruas. A GCM tem de ser enérgica nestas horas, senãoi os milhoes de reais investidos para a restauração do centro histórico, igualmente, não surtirá efeito.
3 Cris Rocha Azevedo
16 de abril de 2010 | 8h 33Denunciar este comentário
Discordo do editorial. As ruas são espaços públicos. Isto quer dizer que são de todos e não "casa da mãe joana".
Há albergues em quantidade suficiente e os dois que foram fechados o foram porque estavam ociosos. Insensibilidade é considerar que serem humanos possam e devam viver como animais, nas calçadas da cidade. Há lugar para eles. Eles devem, sim, ser forçados a reencontrar a dignidade de teto, banho e comida, ao menos. Se não vão por bem, valem os métodos dissuasivos como o proposto. Atrás de uma pretensa "humanidade" no ato de deixar estas pessoas naquele estado, existe sim uma insensibilidade atroz.
2 Joao Metelo
16 de abril de 2010 | 8h 32Denunciar este comentário
Duvido que o colunista já tenha tido o desprazer de ver um grupo de moradores de rua se instalar numa esquina próxima à sua casa, gerando insegurança aos moradores da região. Com certeza ele repensaria se a prefeitura deve ou não remover essas pessoas do local.
Concordo que faltam políticais sociais e assitencais para os moradores de rua que tentem de fato retirá-los dessa situação, mas também acredito que a maioria desses moradores de rua prefrer ficar na rua mendigando e se drogando do que voltar a seus municípios de origem (muitos vêm de cidades do interior) ou para suas casas (a maioria tem famíla, obviamente). Passar a mão na cabeça do morador de rua e tratá-lo como um "tadinho" com certeza não é a melhor solução.
1 F Moreira
16 de abril de 2010 | 7h 18Denunciar este comentário
A reportagem peca por não investigar o motivo da Prefeitura ter reduzido o número de vagas nos albergues, supostamente de 8 mil para 7.300. Pelo que foi divulgado na época, se não estou enganado, a Prefeitura alegou que fez um levantamento, com profissionais especializados, e constatou que uma parcela significativa de usuários dos abrigos tinham emprego, alguns com renda acima de R$ 1.000.
Tratar esse assunto com pieguice ou para ataques politicos não beneficia a população de São Paulo. Por exemplo, no caso de menores de rua, é de conhecimento geral que a quase totalidade desses menores possui um lar para morar.
Quantos usuários dos albergues usam o beneficio por morarem longe do trabalho? Quantos operários da construção civil usam os albergues porque a construtora não está provendo alojamento? Deveria a sociedade pagar pela comodidade ou omissão?
O meu ponto de vista é que a discussão desse assunto não pode ser emocional. Devem ser investigados os motivos da Prefeitura antes de serem emitidas criticas sem conhecimento de causa.
sábado, 17 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Fenix
terça-feira, 13 de abril de 2010
As enchentes

(encontrado no Blog da Cidinha)
"As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam, no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis. De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples problema. O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão. O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social". “Vida urbana”, 19 de janeiro de 1915.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Estamos em ano de eleição e é sempre bom lembrar.
domingo, 11 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Nada como ir ladeira abaixo para não ter mais onde ir , além de voltar.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Um coração louco e uma redenção.

Ironia do mundo ou não, logo depois de escrever o penúltimo texto do Paladar, falando da necessidade de aceitarmos nossos fracassos assisti o filme Coração Louco, de Scott Cooper. A história é sobre um homem que foi extremamente criativo e importante para a música country, mas que a muito tempo não consegue compôr algo que considere bom e tão pouco estabelecer alguma relação que não seja de uma única noite, essas geralmente com antigas fãs que vai arrebatando nas bibocas que precisa tocar para ganhar alguns dólares. Confesso que o assunto não revelava maiores interesses em um primeiro momento, lembrando os apelos de hollywood (algumas indicações ao oscar), aparentava ser somente mais um roud movie clichê da música sulista estadunidense. Não vou me ater aqui contando a narrativa do filme, mas gostaria de pontuar algumas poucas coisas. O filme é legal e a música idem!O protagonista, Bad Blake (Jeff Bridges) é um tiozão bebum e um tanto rabugento, extremamente amargurado e ressentido com sua atual situação, fazendo a linha “essa vida é uma merda!”. Para ele até que é. E a coisa começa a mudar quando ele conhece uma jornalista de um pequeno jornal de uma cidade do interior. No início é só uma sedução, talvez mais uma fã... Então, a coisa começa a mudar. Na verdade o que é legal é o encontro. Essa mulher, Jean (Maggie Gyllenhaal), tem um pequeno filho e isso também é bastante relevante na maneira que o coração desse homem vai amolecendo. Não importa o gênero, mas as formas de aproximação que vão se dando. Como os olhos vão observando relutantes e desconfiados para o que aparece é uma constante no filme. Há uma cena muito bonita em que ele está na cama dela, logo depois de sofrer um acidente, dedilhando o violão e sussurrando algumas frases sobre o amor. Ele pergunta se ela conhece a canção. Jean diz que provavelmente já tenha ouvido aquilo antes e ele responde que essa é uma sensação comum com a boas canções, você acha que já a escutou em outro lugar. A mulher para, olha e pergunta quando ele tinha feita aquela musica. Bad diz que foi naquele exato momento. Ela então começa a chorar dizendo que aquilo tudo era muito injusto. Como ele podia fazer uma coisa tão linda e nem se dar conta daquilo? Como ela iria lidar com o fato dele ir embora e permanecer tão distante? Bom, o que há de lindo é que a partir daí o estrago já está feito. Eles vão se envolvendo e acontecem alguns episódios que poderiam fazer de tudo para a trsiteza tomar conta de vez desse homem. Agora vocês terão que ver o filme porque não vou contar mais nada. A beleza da história está no fato de um coração cansado querer mudar. Nesse ponto lembrei do livro Medo da Vida de Alexander Lowen, um dos mais importantes discípulos de Wilhelm Reich. Para Lowen, o destino de uma pessoa faz parte de sua personalidade. Não se transforma a história de alguém sem conhecer seu modo de existir e sua maneira de estar no mundo. A memória está também no corpo e para se mudar o destino é necessário saber que a unidade funcional mente-corpo opera tentando um esforço de manutenção dessa história de vida. Não é sempre que reproduzimos os mesmos comportamentos porque queremos. Aprendemos de um modo e passamos a ser dessa maneira porque é estrutural. O que quero dizer é que nem sempre podemos pensar que todas as ações são gratuitas e conscientes, mesmo quando se repetem. Coração Louco mostra exatamente esse lugar. Bad Blake a muito tempo não pode fazer de outro modo porque ele não compreende como poderia ser. Quer dizer que não pensa sobre sua condição atual? Claro que sim! Porém para mudar nosso destino temos que viver a diferenciação entre conhecimento e compreensão. Conhecimento está nos livros, na bula, no manual, e podemos pensar sobre, isso é importante. Agora compreensão tá na experiência, na vivência, na ação, naquilo que herdamos enquanto prática, e além de pensarmos temos que encarnar sua condição. Claro que a coisa não é tão simples, e como disse, não é bem um querer fazer e sair fazendo. Bons encontros entretanto podem ser grandes potencializadores disso. Encontrar amigos para um jantar é fundamental. Terapia pode ser um lugar de muita potência. Dançar outro. Artes marciais idem. Um templo talvez. A mesa do bar também serve. Uma aula/conferência bem elaborada nem se fale. No caso do nosso maluco do filme foi uma mulher e seu filho. São muitas possibilidades, mas todas implicam numa certo disponibilidade para enfrentar aquilo que não queremos que se mantenha em nosso destino. Mas temos que ter cuidado nesse modo de entender o 'enfrentamento', porque não estou falando de brigar com isso, e essa é a tendência. Não é se debater para arrancar o que faz sofrer, como um animal em desespero preso na armadilha. É possível mudar, mas devemos começar pela auto-aceitação. A vida não é estática e nem sempre se precisa fazer algo para mudar. Conhecer em alguns casos nada mais é do que ficar pensando sobre o que fazer, manter o equívoco da execução, da repetição, da máquina, da técnica, enquanto compreender é deixar de estar ou viver essa necessidade de fazer. É o não-fazer! Novamente o fracasso, ou sua aceitação, porque não podemos lutar contra a sensação de que fracassamos. Só podemos parar e nos deter por um instante, e olhar, para o nosso comportamento auto-destrutivo. O filme é legal por nos oferecer um pouco dessa perspectiva. Claro que existem atos em todo momento, mas é o reconhecimento do destino que muda tudo, sua força está na superação da previsibilidade como característica desse destino. Passará a ser diferente o destino que compreende e não apenas aquele que sabe e que faz.