quarta-feira, 30 de junho de 2010
Para pensar mais
Pensando enquanto volto.
“O Caminho do Bodisatva” 6 | 45Nós que somos como crianças
Nos encolhemos ao sentir dor, mas adoramos suas causas.
Prejudicamos a nós mesmos através de nossos maus atos!
Então por que os outros deveriam ser o alvo de nossa raiva?
Shantideva (Índia, séc. VII)
*encontrado em Samsara
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Ficar para estar
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Para isso fomos feitos.
sábado, 19 de junho de 2010
Novamente, abrindo o coração.
Tonita veio se exibir com sua nova xícara de chá. Sem anestesia, vai logo soltando que...
- O amor é como uma xícara de chá que cada dia cai no chão e quebra em pedaços; de madrugada juntamos os pedaços e, com um pouco de umidade e calor, colamos, e a xícara passa a existir de novo. Quem está apaixonado passa a vida receando a chegada do dia terrível em que a xícara ficará tão quebrada que não será mais possível uni-la.
Vai embora assim como veio, reiterando sua recusa a um beijo que, agora mais do que antes, “arranha muito”.
- O amor não é mais que uma balança complicada – Diz Durito – De um lado ficam as coisas boas e, do outro, as ruins. O amor será tão longo quanto o tempo em que uma balança boa supere a balança ruim. Quem ama passa a vida acumulando pesos e cuidados na balança boa. Presta tanta atenção nesse peso que se esquece da balança ruim.Nunca entenderá como um peso, que apenas seria uma pluma de suspiro, pôde desequilibrar a balança de forma contundente, definitiva, irremediável...
Fiquei pensando e fumando. A lua era uma unha nacarada, uma vela inchada de luz no barco da noite. Assomou o seu gume na cúspide da montanha e depois se lançou com tal força que seu passo maltratou não poucas estrelas.
(...)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Nascimento Grande, um passarinho...
Morreu o valente romântico; vivemos a era dos covardes, do anonimato de machões virtuais que ficam se escondendo e se xingando pela internet, dos bundões que armam as maiores pancadarias em portas de boates e estádios de futebol com a fúria insana dos falsos apaches de filmes de faroeste. Nenhum deles merece limpar o cocô de Nascimento Grande, o cabra mais arretado que passou por esse mundo velho.
A descrição que Luís da Câmara Cascudo faz de Nascimento é fenomenal. Acompanhem só:
De alta estatura, corpulento, chegando aos 130 quilos, morenão, bigodes longos, muito cortês e maneiroso, usava invariável chapelão desabado, capa de borracha dobrada no braço e a célebre bengala de quinze quilos, manejada como se pesasse quinze gramas e que ele chamava a volta. Uma bengalada derribava um homem, duas desacordavam e três matavam.
Me permitam explicar melhor quem foi essa figura extraordinária. Chamava-se José Antônio do Nascimento e era o mais afamado valente do Recife na entrada do século XX. Trabalhava na estiva e, segundo relatos, levantava cargas absolutamente insanas, daquelas de matar com a tísica os maiores fortões. Perto do peso que Nascimento Grande era capaz de carregar, os doze trabalhos de Hércules adquirem a dramaticidade de um piquenique na Pedra da Moreninha.
Nunca implicou com ninguém. Jamais provocou uma porrada. De conduta ilibada e honestidade comovente, versado nos segredos do jogo de angola, só saía no cacete em legítima defesa. Como era uma fortaleza, costumava ser desafiado por malandros de todos os tipos, proxenetas de quinta categoria, sibaritas de botequim e mestres de capoeira, que sabiam da fama reservada a alguém que conseguisse meter-lhe a porrada. Nunca aconteceu.
Meu avô, que era pernambucano de boa pipa, contava coisas absolutamente espantosas sobre Nascimento Grande e guardava como relíquia um cordel chamado Vida de Nascimento Grande, o Homem do Pulso de Ferro. Nós, os netos, ouvíamos extasiados os feitos do ciclópico personagem. Toda vez que escutava algum relato envolvendo cenas de força e valentia, o velho afirmava: Valente mesmo só teve um, o Nascimento Grande. E era educadíssimo.

Diante do pânico dos que assistiam à cena, que incluiu os inevitáveis desmaios das mulheres, Nascimento Grande colocou o corpo do meliante em um banco, acendeu velas e velou, rezando contrito, a alma do morto até a chegada da polícia. Exigiu que Corre-Hoje tivesse um velório cristão.
Em certa feita foi, já bem coroa, provocado por um safardana chamado Pajéu, metido a capoeirista e dado a bater em mulher – coisa que causava asco absoluto em nosso personagem. Pois o tal do Pajéu apanhou mais do que boi ladrão. Não contente com a coça, Nascimento Grande obrigou o cabra a colocar uma saia de mulher e desfilar pelas ruas do Recife Velho.
Em viagem ao Rio de Janeiro, o gigante pernambucano mandou para a cidade do pé junto o legendário capoeirista Camisa Preta, bambambã da velha Lapa e personagem até de samba de Wilson Batista, que o desafiara para um combate de morte com as provocações mais descabidas. Nascimento Grande mandou Camisa Preta dar a volta ao mundo no Orum.
Todos os que conheceram Nascimento Grande falam dele como um gentil-homem, alma de passarinho naquele corpanzil todo. Chorava capibaribes de lágrimas quando ouvia alguma história de maus tratos a crianças.
O último dos valentes, sabedor dos mistérios da ginga, tinha o coração do tamanho da praia da Boa Viagem.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Do início da série sobre o masculino

terça-feira, 15 de junho de 2010
Nome aos bois
domingo, 13 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A favor das cotas sim!

1. "Isto será para o nosso próprio bem!"
1a. "Não parece!"
2. "Oof": (Areia aí, neguinho!)
2a. "Hey" (Pô, cara sai de cima!)
3. "Puf, Puf " (Pô, colabora me levanta mais um pouco!)
3a. "Sai de cima de mim, encosto!"
4. "Putz! Consegui!"
4a. "Chega, eu quero sair daqui! (Agora eu tô livre!)"
5. "Sinto muito ter sido racista, agora eu sei bem o que foi a escravidão!"
6. "Tá, agora me dá a mão!"
6a. De jeito nenhum, isto seria racismo!
6b. se eu subi aqui sozinho , porque você não consegue ?
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Lidando com os conflitos do cotidiano
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Bastidores de uma certa política
domingo, 6 de junho de 2010
Manifesto Queers Insurrecional!
Queer é um termo reclamado. Seu uso contemporâneo é para descrever gêneros e sexualidades que não se conformam com a sociedade heteronormativa.
Queer começou a ser usado como um insulto às pessoas de gênero e sexualidade diferente (seu significado em inglês é “incomum”), mas rapidamente se converteu num termo para expressar nossas identidades. A maioria das pessoas entendem queer como sinônimo de GLBT. Este entendimento falha em analisar nossa experiência como pessoas queer. Para nós, queer não é uma área estabelecida, queer não é uma identidade que faz parte de uma lista de categorias sociais corretas e aceitas. Queer é uma identidade definida contra a dominação hetero-monogâmica-patriarcal-branca e também uma identidade que se aproxima com aquelas pessoas que estão marginalizadas e oprimidas. Queer representa nossas sexualidades e gêneros, mas também muito mais. Queer é a resistência ao regime no "normal".
Como queers nós entendemos a normalidade. A normalidade é a tirania da nossa condição. A normalidade é violentamente imposta a cada dia, a cada hora sobre nós. A normalidade é a miséria e a opressão. A normalidade é o Estado, é o capitalismo. É o colonialismo e o império. É a brutalidade. É violação. A normalidade é cada forma em que limitamos nossa identidade ou aprendemos a odiar nossos corpos.
Nós falamos de guerra social. Nós falamos disto já que uma pura análise das classes sociais não nos bastam. Que significa uma análise marxista da economia mundial a um sobrevivente de um espancamento? Aos trabalhadore/as sexuais? A um sem teto ou a jovens fugidos de suas casas? Como pode uma simples análise de classe ser a base de uma revolução, que promete libertar a aquele/as de nós que estamos experimentando e viajando mais além dos gêneros e sexualidade que nos são atribuídos? O proletariado como um sujeito revolucionário marginaliza a quem suas vidas não encaixam no modelo do trabalhador heterossexual.
Lênin, Marx e Proudhon nunca jogaram [viveram] como nós.
Nós queremos converter a dominação em ruínas. Esta luta que inabita cada revolução social é o que conhecemos como guerra social. É o processo e a condição do conflito com a normalidade.
Neste discurso queer, estamos falando da luta contra a normalidade. Para nós queer significa guerra social. E quando falamos de queer como um conflito contra toda a dominação, o falamos seriamente.
O normal, o heterossexual, a família comum, estes exemplos sempre foram construídos em oposição a nós. Heterossexual não é queer. Saudável não tem HIV. Homem não é mulher. Os discursos da heterossexualidade, o patriarcado, o capitalismo se reproduzem a si mesmos como um modelo de poder. Para o resto de nós só há morte.
Nas ruas um "maricas" é espancado porque sua representação de gênero é muito feminina. A um pobre homem transexual que não consegue o dinheiro para seus hormônios salva vidas. Trabalhadore/as sexuais são assassinados por seus clientes. Um genderqueer é violada porque necessitava "ter sexo heterossexual". Mulheres lésbicas são encarceradas por defender-se contra homens heterossexuais que as agridem. A polícia nos brutaliza nas ruas.
Queers experimentamos, diretamente com nossos corpos a violência e a dominação deste mundo. Temos nossos corpos e desejos roubados de nós.
A perspectiva queer dentro do mundo heteronormativo é a que nos permite criticar e atacar o aparato capitalista. Nós podemos analisar as formas em que a medicina, a igreja, o Estado, o matrimônio, os meios de comunicação, as fronteiras, o exército e a polícia são usados para nos controlar e destruir. E ainda mais importante, podemos usar estes casos para articular um criticismo coeso de todas as formas em que somos alienado/as e dominado/as.
A posição queer é uma posição onde se ataca o normal. E é desde esta posição que a história dos queers organizados tem tomado sua forma. O/as mais marginalizados - pessoas trans, pessoas de cor, trabalhadore/as sexuais - sempre tem sido a base das chamas da resistência militante queer. Esta resistência tem sido acompanhada pela análise radical que afirma que a liberação queer está amarrada com a aniquilação do Estado e do capitalismo.
Se a história prova algo, é que o capitalismo tem uma tendência de pacificar os movimentos sociais. Isto, trabalha simplesmente. Um grupo ganha privilégio e poder dentro do movimento e pouco depois, traem seus companheiro/as. Alguns anos depois dos distúrbios de Stonewall, homens gays brancos e de classe média marginalizaram toda a gente que havia feito seu movimento possível e abandonaram a revolução.
Antes, se queer era estar em conflito direto com as forças de dominação. Agora nos tocou nos enfrentarmos ao estancamento total e a esterilidade. Como sempre, o capital transformou trans que atiravam pedras nas ruas em políticos e ativistas bem vestidos. Há gays republicanos e democráticos. Há países onde até há bebidas energéticas "gay" e canais de televisão "queer" que fazem a guerra mental, com o corpo e a autoestima da juventude. O estabelecimento político "GLBT" converteu-se numa força de assimilação, gentrificação e do poder estatal e capital. A identidade gay se converteu em um produto, uma comodidade e um aparato que funciona para retirar-se da luta contra toda a dominação.
Agora já não criticam nem o matrimônio, nem o exército, nem o capitalismo, nem ao Estado. Há campanhas para a assimilação queer dentro de cada uma. Suas políticas apóiam todas as instituições que reinformam a heteronomatividade, em vez de buscar a aniquilação daquelas. "Gays podem matar pessoas pobres da mesma forma que pessoas heterossexuais!" Gays podem ter reinos de capital e poder igual as pessoas heterossexuais!" "Somos iguais a vocês!"
Assimilacionistas buscam nada menos que construir o homossexual como o normal - rico, monogâmico, carros luxuosos, residências privadas. Esta construção, claramente reproduz a estabilidade da heterossexualidade, o patriarcado, o binário de gênero, o capitalismo.
Se nós realmente queremos destruir esta normalidade, necessitamos tomar uma posição firme. Não necessitamos da inclusão ao matrimônio, nem do exército, nem do Estado. Temos que destruí-los. Não mais político/as, nem chefes, nem policiais gays. Necessitamos separar as políticas de assimilação e as políticas de libertação.
Necessitamos reencontrar nossa sucessão como queer anarquistas descontrolado/as. Necessitamos destruir estas construções da normalidade, e ao invés, criar posições baseadas em nossa contrariedade a esta normalidade, uma alternativa capaz de desmantelá-la. Necessitamos usar esta posição para instigar rupturas, não só destas políticas de assimilação, mas do capitalismo em si mesmo.
Nossos corpos nasceram em conflito com a ordem social, temos que aprofundar este conflito e fazer com que se espalhe.
Devemos criar um espaço onde é possível desejar. Este espaço, obviamente, requer conflito com a ordem social. Para desejar, em uma sociedade estruturada para confinar o desejo, é uma tensão que vivemos diariamente.
Este terreno, que nasce na ruptura, deve desafiar a opressão em sua integridade. Isto significa a negação total ao mundo. Devemos nos voltar os corpos em rebeldia. Nós podemos apreender a fortaleza de nosso/as corpos em rebeldia para criar o espaço para nosso/as desejos. No desejo encontraremos o poder para destruir o que nos destrói. Temos que estar em conflito com o regime do normal.
Este artigo é uma tradução do panfleto "Towards the queerest insurrection” e o link está em:
› http://zinelibrary.info/files/Queerest%20Final_0.pdf
Páginas que relatam a insurreição queer mundial:
› http://bashbacknews.wordpress.com/
› http://www.blackandpink.org/
› http://www.lespantheresroses.org/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Moimorias
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Curtas
*Tempos de resistir. Lamentável o ocorrido de dois dias atrás provocado pelo Estado Fascista-sionista de Israel. "Nós pedimos uma investigação independente e imediata sobre o ataque israelense à frota de barcos, responsabilizando os culpados. Pedimos também a remoção imediata do bloqueio a Gaza." Participe também, clique no link:
http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla/98.php?cl_taf_sign=60Q7EhtL
*E mais luta. O que quer que venha da rede globo não deveria surpreender aqueles que são um pouco mais críticos. Entretanto diante dos absurdos e dos modos de ler o mundo, as vezes temos que nos manifestar. Vejo como grupos históricamente oprimidos podem se tornar vilões. Debate sobre o sistema de cotas nas universidades vira prato cheio para quem não quer mudar nada. Enquanto pseudos especialistas como esse almofadinha do Demétrio Magnoli seguir opinando suas babozeiras, muito temos pela frente. Falta pouco para alguém dizer em publico que brancos estão sofrendo racismo. Assista o video do Jornal Nacional aqui.Sempre é bom dizer: cotas não são privilégios, são reparações.
*Atenção na mostra da Cinemateca! Filmes de Roman Polanski de 3 a 27 de junho grátis! Veja programação completa.
*Michel Temer vice da Dilma? Quero ver agora quem pode dizer que essa merda de política partidária e democracia representativa que vivemos hoje tem alguma legitimidade. Eu prefiro nem sair de casa para não passar mais raiva nesse dia. Em breve mais notas e textos sobre o que interessa nos modos de fazer política e alternativas para esse circo, onde os palhaços somos nós!
*E aí vai mais um pouco de utopia nesse vida: o Bar Saci não para! Idéias, pessoas, sons, lutas e sonhos, tudo ao mesmo tempo agora e no mesmo lugar. http://barsaci.wordpress.com