sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sobre Exu

Não foi eu ter acabado de falar de minha admiração e respeito por Exu, leio no blog do Bruno Ribeiro esse ótimo texto falando sobre a intolerância religiosa que ainda permeia nossa gente. Leiam vocês mesmos. Inté!
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Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o Céu e a Terra (entre o Orum e o Ayiê, como dizemos no Candomblé). É o único orixá com liberdade para circular nas duas esferas. Por esta razão, Exu apresenta, entre suas inúmeras virtudes, também numerosos defeitos ou vícios humanos. Sua personalidade contraditória e imprevisível talvez ajude a explicar a associação equivocada que a Igreja Católica, ainda no tempo das caravelas, fez entre Exu e o Diabo.

Longe de ser um demônio, Exu é uma energia vital, presente em todas as coisas que se movem. Sem a sua energia, quase nada seria possível. Exu não é bom e nem mau, posto que o Candomblé desconhece o maniqueísmo. Exu é simplesmente a fagulha que detona os grandes acontecimentos, seja ele o nascimento de uma criança ou a guerra mais sangrenta. Os conceitos de Bem e Mal, para o povo-de-santo, não existem; pelo menos, não da forma como os cristãos concebem tais valores.

Exu não é santo, não é diabo, não é espírito. Exu é um orixá, ou seja, uma divindade mitológica africana. E é também um princípio. Nenhuma entidade, como ele, foi vítima de tanto preconceito ao longo da história. Quando o povo brasileiro ainda estava sendo formado, lá pelos idos da escravidão, o culto a Exu foi proibido pela Igreja. Relegado ao submundo dos porões e dos becos mais escuros, acabou ganhando uma conotação de culto macabro, misterioso, feito nas sombras da noite. Puro preconceito. Nada ou ninguém pode ser mais solar e festivo do que Exu.

E ainda hoje, se os senhores querem saber, Exu é o alvo maior do preconceito que recai sobre a religião de milhões de brasileiros, dentre os quais me incluo. Grande parte deste preconceito, sem dúvida a maior, vem atualmente das igrejas neopentecostais que estão proliferando no País, sobretudo nos lugares mais pobres – onde é mais fácil colocar em Exu a culpa pela miséria, pela prostituição, pelo desemprego, pelo alcoolismo...

Não faz muito tempo, a professora Maria Cristina Marques, que leciona Literatura Brasileira em uma escola de Macaé, município do Rio de Janeiro, foi proibida pela diretora de trabalhar com seus alunos as histórias do ótimo livro Lendas de Exu, de Adilson Martins, recomendado pelo Ministério da Educação (MEC). Mary Lice Petrilo, a diretora, é evangélica. Além de proibir sua funcionária de apresentar aos alunos lendas afro-brasileiras – lendas que, aliás, trazem ensinamentos e valores morais belíssimos – espalhou provérbios bíblicos na sala dos professores, com a intenção de "salvar" a alma de Maria Cristina, que é umbandista.

De nada adiantou. A professora, acertadamente, entrou com notícia-crime no Ministério Público e denunciou a diretora da escola, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Ela não estava trabalhando questões religiosas dentro de sala de aula, mas literárias e culturais. Mesmo assim, não se livrou das humilhações que sofreu por parte da direção – Petrilo acusou Maria Cristina de estar fazendo apologia do diabo.
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A professora, que fora afastada, continua no exercício de suas funções, respaldada por decisão da Procuradoria do Município e da Secretaria de Educação. Porém, segundo ela, mães de alunos, todas evangélicas, querem proibi-la de dar aulas sobre a História da África. “Algumas disseram que eu estava usando os alunos para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças”, disse.

A nota à imprensa, publicada pela Secretaria de Educação de Macaé, toma providência enérgica e justíssima contra o ato de intolerância. O conteúdo, na íntegra, pode ser lido no blog do escritor e compositor Nei Lopes (clique aqui). Para saber mais sobre o lamentável caso, acessem o portal online do jornal O Dia (cliquem aqui)
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Laroiê, Elegbara!

2 comentários:

Fabiana Pellicciari disse...

Pois é Alê, eu adoro esse orixá, apesar de tantos absurdos que falam sobre ele. E não se trata de espírito, da presença "encarnada" do mal, de tanta bobagem que se diz e que se cria sobre a figura de Elegbara, Eleguá, Exu.
E que sejam sempre bem vindos todos aqueles dispostos a desconstruir com saberes e formas estagnadas de viver, de pensar! Laroyê Exu!
Adorei a postagem! E o blog, parabéns!

Anônimo disse...

A falta de conhecimento termina dando conceitos errôneos a estes amigos espirituais, onde os mesmos trabalham e muito no UMBRAL, onde os Kardecistas, na sua maioria não falam que ele é que entra para ajudar os necessitados neste lugar, não tenho nada contra o Kardecismo e muito menos aos Kradecistas já fui por muito tempo, mas certas coisas preferem não comentar, VIVA EXÚ!!!