sexta-feira, 25 de julho de 2008
movimento
“Um anarquista e expropriador de bancos, com muita honra”

agência de notícias anarquistas-ana
domingo, 20 de julho de 2008
Saindo da Matrix
Trabalhar no Japao eh mais que enfrentar a repeticao, eh oferecer as vezes sangue, suor e lagrimas. Ofertar a alma em troca de uma suposta seguranca material. Um engodo que te consome e se nao tomar cuidado, te aprisiona do modo mais sutil possivel: pelo espirito. Um lugar que te cansa, te forca a esquecer, a nao lembrar, a abandonar o que te parece ser tao precioso. Com o tempo voce vai deixando tudo "pra depois". Quando se da conta, ficaram distantes os pequenos prazeres, os sabores grandes, a inteligencia e alegria grande. Vai se dando conta que o melhor momento do dia eh a hora de sair do trampo - contraditoriamente o lugar onde se passa mais tempo do dia.
Bom, o que interessa nisso tudo, assim como no filme que falei, eh que apesar de tudo, sao atos de solidariedade que fazem diferenca. Historias que escapam da repticao da maquina. A generosidade desinteressada que te faz sorrir sem esperar por isso. Estou indo para 3 semanas de trabalho ininterruptas e pude ver isso. Veja o caso. Um transporte eh oferecido para ir ate o trabalho e normalmente leva 50 minutos de minha casa ate la. O ponto de entrada deve ser batido 10 minutos antes, e caso voce atrase um minuto eh descontada meia hora de sua primeira hora de trabalho. O motorista do carro que me leva tambem eh funcionario la. Um dia desses ele perdeu a hora e se atrasou e chegamos literalmente um minuto atrasados. Eramos umas 7 pessoas. Todos iriam perder parte dessa hora por conta disso. Eis que no dia seguinte, o colega e motorista aparece no refeitorio e oferece em dinheiro para cada um a meia hora perdida por conta do atraso no dia anterior! Desculpou-se com cada um e lamentou o atraso e disse que tentaria fazer com que isso nao se repetisse. Nenhum de nos aceitou esse dinheiro. Como poderiamos?
Outro dia foi diferente. Parte do trabalho eh feito numa maquina de solda com 18 marcadores, pontos que aquecem o metal e grudam uma parte na outra. Duas pessoas devem estar em cada ponta para colocar o material na maquina e ver se ela faz isso corretamente, nivelando as duas partes. As vezes uma parte ou outra passa direto e nao solda corretamente, tendo que ser repetido o processo. Como cada lote eh devidamente marcado, pode se identificar quem e quando o erro aconteceu. E quem errou deve consertar o lote em questao. Dias atras, um dos malucos la erro um lonte inteiro com umas 400 pecas, trabalho de ate 2 horas. Ele nivelou a maquina errada. Perderia a hora inteira do almoco e teria que fazer um "extra" sem ganhar nada. Isso na teoria, porque a pratica foi outra. O rapaz em questao ficou desconsolado com isso. Quase sem tempo pra familia, teria ainda que refazer aquilo tudo. Quase! Juntamos mais umas 4 pessoas e terminamos o trabalho em meia hora. Perdemos meia hora de nosso almoco, mas a felicidade com que ele ficou depois, por poder voltar pra casa e ter um tempo para comer algo valeu o esforco.
O recado eh simples. Apesar de nao ser um grande entendedor e nao corroborar muito com o tio Karl Marx, ele tinha toda razao sobre ideias de luta de classes e alienacao do trabalho. Cada vez que os trabalhadores brigam e se perdem em dispustas, fofocas e demais bobagens, quem administra o complexo de controle na sociedade hoje apenas se fortalece. Sei que as vezes me torno repetitivo com alguns assuntos e ideias, mas eh porque me parece necessario. Dignidade, saber o que eh importante abrir mao, paciencia, resistencia sao lugares fundamentais para buscar ter sempre em minha vida. Nao quero esquecer isso, porque ja cometi erros tristes exatamente por me afastar de algumas dessas coisas.
Entao eh isso. Para que possam ter uma ideia melhor dessa repeticao, dilemas e luta vivida por quase todos os brasileiros aqui no Japao, sugiro que vejam o curta Dekassegui de Roberto Maxwell. Imagens, sons e movimentos de uma vida que tenta ser melhor.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Ausencia
Mais que um livro
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Ainda sobre Moésio Rebouças
Antes de mais nada, gostaria de expressar meus sinceros agradecimento à todo/as o/as amigo/as e companheiro/as que me enviaram mensagens de apoio, solidariedade e força, que fizeram a notícia correr mundo afora. Muito obrigado!
Agora, vou relatar brevemente um fato que ocorreu hoje à tarde, quinta-feira, 3 de julho, comigo e o motorista do secretário do meio ambiente. Parece que este indivíduo é um ex-policial militar, e trabalha na prefeitura como comissionado, tenho que confirmar.
Bem, estava eu indo tirar algumas xerox no centro da cidade, e, por acaso, cruzei com esta pessoa na frente de um logradouro público, então, sem mais nem menos, o sujeito começou a me xingar em voz alta, no meio da rua, de “vagabundo”, "vai arrumar o que fazer", “jornalista safado que só fica escrevendo contra quem trabalha pelo bem da cidade”, “se você é corajoso vai lá falar tudo na cara do coronel” e outros destemperos mais.
Aliás, este indivíduo é o mesmo que uma semana atrás falou para a minha mãe que era para eu ficar "esperto", que o coronel Bello estava de olho em mim.
Me senti acuado diante da situação, e vi que não dava para conversar com ele, assim saí andando, até mesmo porque percebi que ele estava acompanhado de outras pessoas. Minha mãe conhece este sujeito, o motorista do secretário, desde criancinha. Ela pretende brevemente ter uma conversa com ele e o coronel Bello cara-a-cara. Minha mãe é guerreira e não costuma baixar a cabeça para ninguém!
A minha estratégia neste episódio todo é não ficar em silêncio, apesar do risco real que corro, afinal estou lidando com gente com espírito militarista, rasteiro, com perfil da época da ditadura militar no Brasil, que não aceita nenhum tipo de crítica. E é ir divulgando tudo o que aconteça comigo, explicitar essas ameaças por todos os meios.
Amanhã ou segunda-feira vou no ministério público relatar todo o caso. Também na Promotoria do Meio Ambiente. Grupos de Direitos Humanos já estão sabendo do episódio. Minha família também já está vendo os trâmites legais, da justiça.
E quem quiser ir divulgando o fato entre seus amigo/as e redes, fiquem a vontade, quanto mais gente ficar sabendo das ameaças, que no fundo não é contra mim, mas à todo/as que se levantam contra a destruição da natureza e os vários autoritarismos vigentes neste país e no mundo.
Acredito que o autoritarismo, o fascismo, e o coronelismo do secretário se explicitou devido ao fato que dias atrás saiu um texto meu num jornal local que abordava a morte de um jacaré dentro de um parque ecológico municipal. Penso que essa foi a gota d'água para a reação dele. Apesar que já faz alguns anos que venho escrevendo e denunciando várias agressões à diversidade da vida na cidade, onde muitas vezes a Secretaria do Meio Ambiente é feitora, omissa e cúmplice. O que era comum no secretário era rebater as minhas cartas e textos, mas nunca tinha chegado a esse ponto da ameaça explícita.
Segundo me informou um “veterano” ambientalista aqui da cidade, o secretário do meio ambiente de Cubatão, Eduardo Silveira Bello, é aposentado da Polícia Militar, na patente de Coronel 3 Estrelas gemadas. Foi chefe da Casa Militar do Governador Franco Montouro e Comandante da Policia Florestal de São Paulo. Apesar de ele ser secretário do meio ambiente de Cubatão, ele não mora e nunca morou nesta cidade, e sim no Guarujá.
Por fim, alguns compas me pediram o e-mail do secretário, para que este Senhor e o Prefeito da cidade saibam que muita gente está ciente das ameaças, e que também pode ser uma forma de pressão, assim segue:
Secretário Municipal de Meio Ambiente: Eduardo Silveira Bello - e-mail: meioambiente@cubatao.sp.gov.br
Prefeito de Cubatão: Dr. Clermont Silveira Castor - e-mail: secretariagabinete@cubatao.sp.gov.br
Já era para ter escrito antes, mas a internet da Telefônica no Estado de São Paulo ficou fora do ar por mais de 24 horas, só retornando agora a noite. É isso, sigo informando...
Moésio Rebouças
para falar com Moesio - moelpececito@hotmail.com
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Meu amigo foi ameaçado...
Assim sendo, nunca devemos desistir! Moesio nos prova isso.
Seguimos com as palavras do mesmo.
Fui ameaçado...
Não é legal escrever na primeira pessoa. Nem me coloco como vítima, perseguido, coitadinho ou coisa do tipo. Mas vejam só. Hoje, quarta-feira, dia 2 de julho, no meio da tarde, apareceu aqui em casa um "guarda-costa" a mando do secretário do meio ambiente de Cubatão, o Coronel da Reserva do Exército Eduardo Silveira Belo, com o seguinte recado, em resumo: "pára de denunciar e escrever contra a Secretaria Municipal do Meio Ambiente".
A pessoa que veio aqui em casa é meu conhecido, e falou que eles, os poderosos, tinham se reunido dias atrás e resolveram me "derrubar", só não fizeram isso porque essa pessoa disse que me conhecia, contemporizando que eu era um cara legal, e argumentando com seus parceiros que iria me procurar e conversar comigo, para que eu desse um tempo nas denúncias, deixasse passar as eleições, escrevesse sobre outras coisas que não enfocasse o meio ambiente e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.Essa pessoa ainda me ofereceu um trabalho “bem remunerado” para que eu ficasse quieto, “na minha”, e passasse para o lado deles, da atual administração municipal.
Semanas atrás uma pessoa próxima de secretário Eduardo Silveira Belo, já tinha passado um recado para a minha mãe, dizendo que era para eu ficar “esperto”, que o Coronel Belo estava de olho em mim.
Diante disso, muito poderia ser escrito, mas fica só um alerta, se por acaso acontecer algo a minha vida, com certeza o atual secretário de meio ambiente da cidade de Cubatão estará envolvido como mandante.
Enfim, sigo meu caminho, sem se curvar para o dinheiro nem para nenhuma autoridade, e na companhia e defesa da Liberdade e da Natureza.
Moésio Rebouças