segunda-feira, 31 de maio de 2010
Guimarães Rosa em som e imagem.
sábado, 29 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A Roda no Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô

Saiba mais aqui
É chegada a hora!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O que queremos preservar?

Habitar Humano - em seis ensaios de biologia-cultural
por Humberto Maturana e Ximena Dávila Yáñes
Foto de Campañero Baltazar Baptista
Medo
Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá
quarta-feira, 19 de maio de 2010
e outra vez, outra vez e outra vez.

segunda-feira, 17 de maio de 2010
Nenhuma verdade além dos fatos.

sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
II Prêmio Carrano
Dia 27 de maio completa-se dois anos da morte de Austregésilo Carrano Bueno, dramaturgo, militante da luta antimanicomial e autor do livro “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de sete cabeças”, que junto com o livro revolucionou a história da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Carrano se destacou como o principal militante pela Luta Antimanicomial em nosso país. Eleito em congresso na cidade de Xerém-RJ, atuou nos últimos anos como representante dos usuários na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, chegando a receber, em 2003, uma homenagem das mãos do presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, por seu empenho na Reforma Psiquiátrica. Além das torturas sofridas nos “chiqueiros psiquiátricos” – como dizia – Carrano sofreu vários processos judiciais por sua militância, principalmente por parte dos familiares dos médicos responsáveis pelos “tratamentos” recebidos nas passagens pelos locais onde foi internado, confinado e torturado. Carrano continuou militando até seus últimos dias no Movimento da Luta antimanicomial, mesmo com a saúde debilitada, no dia 18 de maio de 2008, participou do Dia Nacional de Luta Antimanicomial em Belo Horizonte.
O Prêmio - Para que a sua voz não se cale e seu nome continue vivo no Movimento de Luta Antimanicomial, criamos em 2009, o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos. O Prêmio tem como o objetivo dar continuidade a sua luta por uma mudança nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental, fazendo valer a Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil, da qual foi um dos defensores e críticos. O prêmio será entregue anualmente a pessoas de ações e atitudes importantes nestas áreas, mas principalmente, denunciar quaisquer violações dos Direitos Humanos, especialmente no que se refere a pessoas nas condições de sofrimento mental. Fizemos em 2009, na Semana do Dia Nacional de Luta Antimanicomial, o lançamento do Prêmio, com uma entrega simbólica a Carlos Eduardo Ferreira, mas conhecido como Maicon, usuário e militante da Luta, que esteve em vários momentos ao lado de Carrano, também foi entregue um prêmio a família de Carrano.
A criação do prêmio foi uma iniciativa de alguns amigos de Carrano: Edson Lima coordenador do projeto O Autor na Praça, Erton Moraes escritor, compositor e músico do Movimento TrokaosLixo, Lobão integrante do Movimento 1daSul e Sarau do Cooperifa, Adriano “Mogli” Vieira da AEUSP - Associação dos Educadores da USP, Paloma Kliss escritora e contamos com o apoio do Movimento Nacional e Fórum Paulista de Luta Antimanicomial, Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e militantes do movimento. A entrega do II Prêmio Carrano será na semana do dia nacional de Luta Antimanicomial, dia 15 de maio (data de nascimento de Carrano, em 1957). Neste ano criamos o coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura, que tem o papel da organização do Prêmio. O coletivo é formado pelo projeto O Autor na Praça, Movimento Trokaoslixo, Literatura Nômade, grupo Encontro de Utopias, Lobão, agitador e grande amigo de Carrano, a escritora e produtora Paloma Kliss, a psicóloga Patrícia Villas-Bôas, a poeta Tula Pilar, o músico e compositor Léo Dumont outros amigos de Carrano. Trata-se de um grupo aberto e convidamos a pessoas e instituições que quiserem participar e colaborar com esta iniciativa. Além da entrega do prêmio haverá uma tarde poética sobre a Literatura e Loucura, organizada pelo pintor e poeta Júlio Bittar e o grupo Encontro de Utopias. Também acontece performance com o coreógrafo Marcos Abranches e apresentações musicais com a participação da Banda Mokó de Sukata, do músico e compositor Léo Dumont e outros convidados.
- onde fica
- Espaço Plínio Marcos (Tenda na Feira de Artes da Praça Benendito Calixto, Pinheiros)
- quando ir
- 15/5/2010, às 14:00h
- quanto custa
- Grátis
- website
- www.portalliteral.terra.com.br/artigos/ii-premio-carrano-de-luta-antimanicomial-e-direitos-humanos
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Abrindo o debate

O Growroom e a Matilha Cultural convidam para o ciclo de debates “Abrindo o debate sobre a Cannabis no Brasil” – Liberdade de expressão, Segurança Pública e Uso Medicinal, que será realizado no dia 19 de maio. O objetivo do evento é estruturar um debate democrático e transparente sobre as políticas de regulação da Cannabis no Brasil, lidando com a questão de forma pragmática e coerente com a realidade social do país.
Com a presença de pesquisadores, advogados, ativistas, agentes redutores de danos e cidadãos, os debates não pretendem defender ou condenar a discriminalização da Cannabis no Brasil, mas trazer luz à questão ao promover a pluralidade de opiniões e colaborações de especialistas e cidadãos.
O evento será gratuito, aberto ao público e transmitido pela internet pelos endereços http://www.matilhacultural.com.br e http://growroom.net.
Pano de Fundo
No Brasil, em 1932, por decreto, o então presidente Getúlio Vargas tornou crime o cultivo, o comércio e o consumo da planta e criou restrições severas ao seu uso como medicamento.
A rigidez da proibição transformou o comércio em narcotráfico e a Cannabis passou da esfera da saúde, para a criminal. O uso medicinal da planta no país foi, assim, transformado em crime e oficialmente desqualificado e perseguido.
Mesmo reprimida e criminalizada há décadas, a Cannabis continua sendo uma das plantas mais cultivadas pela humanidade em todo o planeta, como acontece há mais de 15 mil anos. Estima-se que os negócios em torno da planta movimente bilhões de dólares, abastecendo milhões de consumidores em todo o mundo.
A proibição, por sua vez, transforma esse comércio em fonte de renda para pessoas já envolvidas com atividades criminosas, muitas vezes violentas extinguindo a possibilidade de controle oficial do governo sobre a questão.
Em países como Espanha, Argentina, Reino Unido, Canadá e até estados norte-americanos, o debate em torno da regulamentação do uso medicinal e recreativo da Cannabis tem sido ampliado com novas perspectivas, ideias e experiências práticas sobre o tema.
No Brasil, a discussão vem acontecendo graças a profissionais de diversas áreas que adotaram posturas mais humanitárias com respeito as especificidades culturais, econômicas e as liberdades individuais na questão da Cannabis.
PROGRAMAÇÃO
19 DE MAIO – 15 às 19hs
15h às 17h – Antiproibicionismo: Um debate autorizado!
Mediador: Alexandre Youssef - Sócio do STUDIO SP, fundador de Instituto Overmundo e colunista de política da revista TRIP, foi Coordenador de Juventude da cidade de São Paulo entre 2001 e 2004
Marco Magri – Cientista Social. Coletivo Desentorpecendo a Razão (SP)
Gerardo Santiago – Advogado. Nova Sociedade Libertadora (RJ)
Leonardo Sica – Advogado. Coletivo Marcha da Maconha São Paulo
Júlio Delmanto – Jornalista Caros Amigos (SP) – A confirmar
Sergio Vidal – Antropólogo, membro do Growroom, Representante da União Nacional dos Estudantes no CONAD e no Grupo de Reforma da Lei 11.343
Marisa Fefferman – Advogada e prof. da Universidade São Paulo (USP)
10 min por componente da mesa e 1h de debate
17h às 17h30 – coffee break
17h30 às 19h – Horizontes para um mercado regulamentado de Cannabis no Brasil
Mediador: Alexandre Youssef
Domiciano Siqueira – Presidente da Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos (ABORDA);
Médico Convidado (Confirmado, aguardando os dados)
Cristiano Maronna – Advogado NEIP/IBCCRIM
Mônica Gorgulho – Psicóloga, Representante do Conselho Federal de Psicologia no CONAD e no Grupo de Reforma da Lei 11.343
Alessandra Oberling – Diretor do Viva Rio e da Comissão Brasileira Drogas e Democracia.
10 min por componente da mesa e 50 min de debate
Filmes
19h30 O Sindicato – o negócio por trás do barato (2007) – 100’ – Canadá
Direção: Brett Harvey
Título Original: The Union – The Business Behind Getting High
Site Oficial: www.theunionmovie.com
21h30 Esperando para tragar – A vida de pacientes não-regulamentados de Cannabis (2005) – 74’ – EUA
Direção: Jed Riffe
Título Original: Wait to Inhale
Site Oficial: www.waitingtoinhale.org
SOBRE A MATILHA CULTURAL
A Matilha Cultural é uma entidade independente e sem fins lucrativos instalada em um edifício de três andares, localizado no centro de São Paulo. A Matilha integra um espaço expositivo, sala multiuso, café, além de um cinema com 68 lugares.
Fruto do ideal de um coletivo formado por profissionais de diferentes áreas, a Matilha foi aberta em maio de 2009 e tem como principais objetivos apoiar e divulgar produções culturais e iniciativas sócio-ambientais do Brasil e do mundo.
SOBRE O GROWROOM
growrooom@growroom.net – (11) 70286983
O Growroom é um grupo que atua em defesa dos direitos dos usuários de maconha, tendo como uma de suas principais atividades manter um Portal na Internet sobre tudo que é relacionado a planta Cannabis sativa, seus usos e usuários, além de um Fórum que serve de espaço de convivência para pessoas adultas que consomem Cannabis sativa. O grupo atua dentro dos princípios da redução dos riscos e danos, buscando o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade dos usuários.
MATILHA CULTURAL
Rua Rego Freitas, 542 – São Paulo.
Tel.: (11) 3256-2636.
Horários de funcionamento: terça-feira a sábado, das 12h as 20h.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Compartilhando opiniões
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Deformações ideológicas não se acabam do dia para a noite.Vivemos, mais de uma década, sob a ditadura do pensamento único, do “politicamente correto”.A paixão política passou a ser um “defeito”, aliás quase todas as paixões passaram a ser um defeito, um “fanatismo”.Claro que não se está louvando aqui a irracionalidade, o sectarismo, a imbecilidade.Mas a história humana é feita de paixão.Ou será que não foi preciso paixão para os homens que deram a vida nas barricadas da Revolução Francesa, para que aquele país e o mundo pudessem gritar “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”?Faltou paixão, aqui, aos Henriques Dias, negros, aos Felipes Camarão, índios, para lutarem em Guararapes ao lado do português João Fernandes, fundando o sentimento nacional?Ou a Tiradentes, para enfrentar o cadafalso? A Getúlio, para a bala no coração?O neoliberalismo pretendeu reduzir o desejo humano a um “negócio”, material ou sentimental, que deve trazer vantagens. Era a “lei de mercado” transposta para a existência do ser humano. Um verso de uma música dos Titãs, fora do contexto, servia de “hino” desta anulação da paixão: “eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”.A história das lutas sociais, das lutas que ao longo de milhares de anos, homens e mulheres de todas as partes do globo terrestre fizeram em busca da liberdade, da justiça, da dignidade, não importava muito. Era tempo perdido. Era o passado, e o passado, passou. Era “o fim da história” que o tal Francis Fukuyama, aquele historiador a quem a história já quase esqueceu, proclamava, sob o aplauso dos medíocres.Virou algo “arcaico”, “jurássico”, anacrônico ter paixão pelo Brasil e pelo povo brasileiro.Importante era ser certinho, arrumadinho, “preparadinho” e fazer “o dever de casa” direitinho, como os nossos comentaristas políticos e econômicos pregavam nos jornais e na televisão. Nenhuma atenção era dada a que este “dever de casa” vinha de professores de fora, que queriam ensinar-nos a ser como convinha a eles, não a nós mesmos.Mas a história não acabou.A realidade, o processo social, retornou, com suas voltas caprichosas e tantas vezes incríveis, o fio desta história.Lula, o sindicalista que surgiu condenando Vargas, virou o estadista que repetiu seu gesto de banhar de petróleo sua mão e, mais ainda, praticou uma política de composição, tolerância e alianças como a do velho Getúlio, a quem chamavam de “pai dos pobres e mãe dos ricos”. Embora os pobres tenham ganho muito no Governo Lula, a verdade é que os ricos não perderam, não é? Está aí o lucro dos bancos que não nos deixa enganados.Apesar disso, porém, como a Getúlio, a Jango, a Brizola, os ricos o odeiam. Odeiam não apenas porque ele vem da pobreza. Odeiam porque ele não a abandonou, não lhe virou as costas. As elites brasileiras só admitem a entrada dos pobres nos seus salões se for para servir-lhes obsequiosamente, como mucamas ou garçons.A história seguiu, e o povo brasileiro viu, com Lula, que podia dirigir seu país. Viu mais: que este país, invadido economicamente, culturalmente e polticamente pelos “monitores” daqueles professores que lhe cobravam, ferozes, “o dever de casa” , não precisava ser como lhe diziam que deveria ser.Eu vejo com tristeza muitos homens e mulheres das gerações mais velhas tornarem-se tíbios, medrosos, a encherem de vírgulas e concessões o que dizem, para deixar aceitáveis pela ditadura da mídia a verdade que já não sabem dizer de forma aguda e cortante.Falta-lhes já a pureza e a sinceridade do menino que, na praça cheia, rasgou o véu do temor e da conivência gritando que o rei estava nu.Com mais tristeza ainda vejo outros, que eram jovens abandeirados de paixões e amor a este povo se converterem em instrumentos de seus algozes, com a pífia desculpa de que os tempos são outros, quase a dizer que aquele mundo de opressão e dominação acabou. Talvez tenha acabado, sim, mas só para eles, não para as imensas massas humanas a que um dia disseram servir.Não são todos, talvez não sejam sequer muitos, mas foi a eles que o sistema deu luz e notoriedade e fez aos outros temer não serem aceitos, acolhidos, amados, porque teimavam em ser, mesmo que por dentro e silenciosamente, o que eram.Que lindas as supresas da história, porém.Dos frangalhos de Brasil que a ditadura e, depois, a mediocriade e o entreguismo dos governos neoliberais nos deixaram, rebrotamos, como nos versos de Neruda sobre a Espanha destruída pela barbárie franquista:“mas de cada buraco da Espanha, sai Espanha, e de cada criança morta nasce um fuzil com olhos”.Pois correndo o risco de parecer primário, poderíamos dizer que sai agora um fuzil com teclas. Esta nova “arma”, a internet, foi posta à prova, nestas semanas, em rápidas escaramuças: o clipe serrista da Globo e as manipulações difamatórias dos tucanos. Os tanques pesados da grande mídia continuam rolando, potentíssimos. Mas nós já podemos fustigá-los e fazer recuar.Nós, os que estamos ainda no começo da caminhada, que temos o coração em chamas pelo Brasil, precisamos muito dos corações que nunca deixaram esta brasa apaixonada se apagar. Precisamos de sua sabedoria e de sua coragem, que certamente é maior que a nossa, pois já passou por batalhas mais longas e mais duras.Somos soldados deste combate pelo povo brasileiro. Precisamos de comandantes que nos ajudem a lutar e vencer. A paixão e o amor não nos faltam.Então, quem sabe, juntos, poderemos soprar as brasas que se reduziram pela descrença, pelas decepções, pelas derrotas e, finalmente, em nome de milhões de nossos irmãos que nada têm de rico, senão a esperança, em nome de um país que não quer mais viver na barbárie de uma condição colonial, possamos enfim dar ao Brasil o destino próprio que uma nação e um povo como o nosso merecem.
domingo, 9 de maio de 2010
Da gratidão e do lar
Ontem eu vi no noticiário que haviam deixado um bebê recém nascido em uma borracharia de beira de estrada, dentro de uma caixa de papelão com um bilhete: Se não quiser ficar, leve para uma casa de adoção. Eu sou pobre.
Não levando em conta as falas moralistas do jornalista e as lágrimas sinceras, mas, ali, sensacionalistas da enfermeira que hoje cuida do bebê, eu fiquei emocionada. O menininho era recém nascido mesmo, pequeninho e fiquei pensando como ele poderia estar se sentindo, mesmo na desorganização das sensações de um ser humano de apenas alguns dias...
Também voltei estes dias na casa da Maria Clara, a menininha de um ano e meio que foi espancada pelo pai e por isso ficou em um abrigo por cinco meses. Hoje em dia ela está em casa com a mãe e conversamos um pouco sobre o período de Maria Clara no abrigo e a sensação da mãe (e talvez de todos nós!) de que pode ter sido infinitamente difícil para a Clarinha ter perdido sua casa, sua mãe e tudo o mais. E depois ter parado, de um dia para o outro, em uma "casa" estranha, cheia de tias estranhas e mais uma bando de crianças, também tiradas de casa.
Mas este post não é sobre o Matheus (o menininho da caixa de papelão), nem sobre a Maria Clara. É sobre outro menino... que na verdade não foi tirado de casa, mas teve sua casa tirada de si. Aparentemente apenas uma diferença na ordem dos termos, mas não é só isso.
Eu senti que me tiraram minha casa. Ele disse. Eu lembrei que no primeiro ano da faculdade eu havia feito um grupo de estudos em fenomenologia com o Nichan que tinha como objetivo estudar a obra de Gaston Bachelar A Poética do Espaço. Segundo uma anotação minha na antecapa do livro, este se define por ser uma topoanálise da vivência humana através das imagens poéticas da casa. De fato o livro vai trazendo vários poemas relacionados à imagem da casa e analisando como tal imagem fala das mais diversas vivências humanas.
À porta quem virá bater?
Em uma porta aberta se entra
Uma porta fechada um antro
O mundo bate do outro lado da minha porta.
Pierre Albert-Birot
O livro começa com a afirmação de que não se trata se descrever casas e seus pormenores, mas de compreender a função original do habitar: "Porque a casa é nosso canto do mundo. Ela é, como se diz amiúde, o nosso primeiro universo."
Como traz Bachelard, a casa nada mais é do que a imagem que podemos usar para qualquer vivência de se habitar inteiramente e de fato algum lugar. Inversamente, é também a experiência da casa-abrigo, de abrigar-se e ser abrigado que permite um habitar íntegro posterior. Ou seja: se é mais capaz de habitar algo com integridade, quanto mais experiências de abrigagem tivemos na vida.
Meu menino teve sua única experiência de casa de verdade tirada de si. Depois, um bando de meias-casas, muitas delas, umas atrás das outras, incessamente. Díficil mesmo de habitá-las.
Meu menino teve sua casa roubada, foi-lhe tirada quando a havia encontrado, quando começava a experenciar a intimidade do espaço, a circulação livre e segura pelos caminhos... como então ele pode habitar de forma tranquila, senera e íntegra os lugares de hoje em dia? Como pode experimentar de forma íntima e entregue os lugares-casa, os lugares-relacionamento, os lugares-si-mesmo?
Meu menino tem sonhos ruins. Quase todas as noites. Não pode dormir sem a possibilidade de sonhos intranquilos. Ironicamente é o próprio Bachelard que explica que a casa tudo tem a ver com a possibilidade de sonhos belos: "Nessas condições, se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamo: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz."
Sonhei com um ninho em que as árvores repeliam a morte.
Adolphe Shedrow
Eu queria muito que o meu menino pudesse ter sonhos bonitos e dormir tranquilamente. Queria que pudesse ter alguma tranquilidade no habitar os espaços. Que pudesse ser um pouco mais forte, nos dizeres de Guimarães: aquele que pára quieto, permanece. Mas talvez não seja assim nunca. Talvez o meu menino passe mesmo a vida indo dos lugares em que vai. Nem sequer podendo partir do lugar em que vive. E ir do lugar em que se vai é uma repetição da mesma coisa, não ajuda a mudar nada.
Uma das poucas coisas que eu lembrava do grupo de estudos sem consultar anotações ou mesmo o próprio livro era a idéia de que só se sai de verdade de algum lugar em que se esteve. Que é preciso aterrar para dar um passo, que é preciso habitar para partir. O meu menino não parte, ele não muda de lugar, ele apenas erra. No sentido do erro em si, mas também no sentido daquele que é errante: que se engana, que se equivoca, que anda ao acaso.
Eu queria dar uma casa oa menino, mas a esta altura do campeonato, quando não se é mais recém nascido como o Matheus, nem se tem um ano como a Clarinha, há que se inventar uma casa e habitá-la até mais do que quando se é criança. Há que se ter a coragem da intimidade pela primeira vez. Há que se ter a coragem, principalmente, de se habitar. De habitar-se. De habitar a casa-corpo, a casa-alma. Com suas escadas, suas poeiras, suas infiltrações e imperfeições. E dai, sim, quem sabe, poder sair por ai. De verdade.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Batidas.

M.I.A, Born Free from ROMAIN-GAVRAS on Vimeo.
domingo, 2 de maio de 2010
Como tucanar uma eleição!
Por TIM
direto de A Cortiça
Ano eleitoral no Brasil, que desespero! Meia dúzia de candidatos mendigando o voto de 190 milhões de Zés e Zéfas. E, o que é pior, conseguindo!

Mas no meio de todas essas siglas e facções criminosas (isso sim é o crime organizado, controla até o Estado!) criou-se uma bipolarização partidária burra. Se você critíca o PT, ofendem sua inteligência e te acusam de tucano. Se você critíca o PSDB, ofendem sua honra e te taxam de petista. Que mania desagradável, reducionista e obtusa essa a de encarar a guerra eleitoral. Até isso parece que importamos dos EUA.
Aliás, cambada, vamos lá, né! Aqui n'A CORTIÇA estamos bem longe das câmeras e dos holofotes. Podemos ser minimamente mais sinceros uns com os outros. Além de não formular uma política para matar sem-terra (como FHC sempre adorou fazer), num plano nacional de governo, quais são as grandes diferenças entre PT e PSDB?
Algum desses partidos governou rompendo com a lógica do Capital? Algum desses partidos puniu os responsáveis pela Ditadura Militar? Algum desses peitou o PMDB? E a tal da reforma agrária prometida por Lula? Ah! Desculpem-me questionar isso! Talvez eu esteja sofrendo daquela "doença infantil"!
O fato é que nas eleições de 2010 para presidente há uma chance enorme do PSDB voltar diretamente ao poder com Serra, o Terrível! Vale dizer que A CORTIÇA já demonstrou todo o seu apoio ao vampiresco candidato em alguns outros posts. Falamos sobre como ele tratou bem da educação de São Paulo e como ele adora valorizar os professores. Afinal de contas, São Paulo é um Estado cada vez melhor.

OS TUCANOS AVANÇANDO SUAS TRINCHEIRAS
Como sabemos, nossos amiguinhos da mídia corporativa já estão plenamente em campanha para que Serra, o Terrível, consiga finalmente reproduzir sobre o país inteiro seu sanguinolento governo que já aplicou sobre São Paulo.
Em um seminário promovido pelo Instituto Millenium, em São Paulo (evento ocorrido em 1º de março, cuja inscrição custava a bagatela de R$500,00), representantes do mass-media nacional concluíram que PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Até aí, nenhuma novidade, pois isso sempre foi afirmado ao longo dos oito anos de Lula. Mas em ano eleitoral a cólera tucana fica mais corrosiva.
De acordo com eles, existe o chamado "risco Dilma", ou seja, se a Dilma for eleita o "stalinismo" será implantado no Brasil. Para evitar que isso ocorra, Arnaldo Jabor em sua fala apresenta a estratégia: "Tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois. Nossa atitude tem que ser agressiva".
Ah, claro! Além do Arnaldo Jabosta, estavam presentes também Reinaldo Azevedo (aquele articulista da Veja, que consegue como ninguém misturar fascismo com neoliberalismo), o Carlos Alberto Di Franco (articulista do Estadão e membro assíduo da Opus Dei) e, não podendo faltar à festa, no evento estava também o ilustríssimo vice-príncipe dos socilólogos, vossa alteza Demétrio Magnoli, em defesa da liberdade (de mercado) atacando o "stalinismo" (e depois dizem que é a esquerda que ainda vive na Guerra Fria, aff...). Poizé! Só gente fina!

"Uma vergonha! Que merda! Desejando governar do alto de sua vassoura..."
Leia tudo aqui na reportagem da Carta Maior.
O Instituto Millenium tem entre seus conselheiros João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, e do fórum participaram entidades como a ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e ABAP (Associação Brasileira de Agências de Publicidade).
E como sentenciou Reinaldo Azevedo, “na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”!
GÁS MOSTARDA NOS ADVERSÁRIOS DO BAT-TUCANO
Nós, indefesos pagadores de impostos, encontramo-nos no meio de uma guerra entre Alien e Predador! O Lula já está tomando até multa por utilizar do dinheiro público para fazer campanha pra Dilma por aí, assim como o Serra, o Terrível, também utiliza o nosso dinheirinho de paulista otário fazendo campanha "inaugurando maquete" por aqui! Mas convenhamos: contar com o apoio escancarado da mídia nacional tucana, é como utilizar de gás mostarda na guerra eleitoral. Por exemplo nossa velha companheira: a Veja! (tire as crianças da sala)

E o que dizer dá Globo? Foi obrigada a retirar do ar sua campanha de comemoração de 45 anos, pois não apenas se utiliza do mesmo discurso do PSDB ("o Brasil pode mais") como ainda enaltece o número "45" (coincidentemente o mesmo número que você precisa digitar na urna para que o Brasil tenha uma noite eterna sob a vigilância do vampiro). Não acredita, então veja aí embaixo o vídeo tirado do ar!
Sinceramente, só falta colocar a rampeira da Regina Duarte falando que está com medinho novamente
TENTANDO FUGIR DO MINOTAURO
Mas sem essa de querer ficar questionando a mídia e como ela age! Como se não soubéssemos, não é mesmo?! Sabemos muito bem quem controla toda essa circulação massiva de informações, o que eles pensam e o que querem. E, assim sendo, mais proveitoso que ficar questionando, vale mais a pena atirar pedras. Afinal, paus e pedras podem quebrar seus ossos, antenas e etc.
Vejam que fantástico o documentário "Levante sua voz", produzido pelo Intervozes.
Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.
Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.
Esse é um vídeozinho que vale a pena você repassar pra famíla, pros bródi, até pro Ali Kamel!
Como afirma o José Simão: "o Serra é mais feio que a morte comendo pastel"! Mas com seus amiguinhos controlando os meios de comunicação, motivos para sorrir não lhe faltam. Não é mesmo vampirão?

