terça-feira, 8 de junho de 2010

Lidando com os conflitos do cotidiano

Eu sempre fico em alguns dilemas sobre os modos de captura e aprisionamento que o capitalismo gera nos dias de hoje. Veja o caso da nike. Os caras são mestres na arte de vender produtos e sonhos. O estilo de vida prometido pela marca é quase irresistível. Por outro lado, dá-lhe exploração da mão de obra infantil e fodida da Ásia e latino-america. Em resumo: um bando de canalhas com rostos e endereços. Porém, de repente e não mais que de repente, de tempos em tempos, os caras (será que são eles mesmos?) produzem espaços poucos prováveis de acontecerem, encontros inusitados e fusões que não temos como ignorar. Esse é o caso do projeto nike sportwear que a marca vai divulgar durante a copa. Um timaço para gravar o clássico do Sr. Jorge Ben Jor, Ponta de Lança Africano (Umbabarauma). Sem comentários. Apenas veja o que vem por aí.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Bastidores de uma certa política

Esses dias falei sobre as questões da disputa eleitoral e talvez alguns pensem que fui um tanto "parcial" com a Dilma e seu vice peemedebista. Calma meninos e meninas! Eu disse que tinha mais sobre o tema. Então, para tirar qualquer mal entendido sobre imparcialidade, eis aqui os bastidores da tucanada.
continua...

domingo, 6 de junho de 2010

Manifesto Queers Insurrecional!

Queer é um termo reclamado. Seu uso contemporâneo é para descrever gêneros e sexualidades que não se conformam com a sociedade heteronormativa.

Queer começou a ser usado como um insulto às pessoas de gênero e sexualidade diferente (seu significado em inglês é “incomum”), mas rapidamente se converteu num termo para expressar nossas identidades. A maioria das pessoas entendem queer como sinônimo de GLBT. Este entendimento falha em analisar nossa experiência como pessoas queer. Para nós, queer não é uma área estabelecida, queer não é uma identidade que faz parte de uma lista de categorias sociais corretas e aceitas. Queer é uma identidade definida contra a dominação hetero-monogâmica-patriarcal-branca e também uma identidade que se aproxima com aquelas pessoas que estão marginalizadas e oprimidas. Queer representa nossas sexualidades e gêneros, mas também muito mais. Queer é a resistência ao regime no "normal".

Como queers nós entendemos a normalidade. A normalidade é a tirania da nossa condição. A normalidade é violentamente imposta a cada dia, a cada hora sobre nós. A normalidade é a miséria e a opressão. A normalidade é o Estado, é o capitalismo. É o colonialismo e o império. É a brutalidade. É violação. A normalidade é cada forma em que limitamos nossa identidade ou aprendemos a odiar nossos corpos.

Nós falamos de guerra social. Nós falamos disto já que uma pura análise das classes sociais não nos bastam. Que significa uma análise marxista da economia mundial a um sobrevivente de um espancamento? Aos trabalhadore/as sexuais? A um sem teto ou a jovens fugidos de suas casas? Como pode uma simples análise de classe ser a base de uma revolução, que promete libertar a aquele/as de nós que estamos experimentando e viajando mais além dos gêneros e sexualidade que nos são atribuídos? O proletariado como um sujeito revolucionário marginaliza a quem suas vidas não encaixam no modelo do trabalhador heterossexual.

Lênin, Marx e Proudhon nunca jogaram [viveram] como nós.

Nós queremos converter a dominação em ruínas. Esta luta que inabita cada revolução social é o que conhecemos como guerra social. É o processo e a condição do conflito com a normalidade.

Neste discurso queer, estamos falando da luta contra a normalidade. Para nós queer significa guerra social. E quando falamos de queer como um conflito contra toda a dominação, o falamos seriamente.

O normal, o heterossexual, a família comum, estes exemplos sempre foram construídos em oposição a nós. Heterossexual não é queer. Saudável não tem HIV. Homem não é mulher. Os discursos da heterossexualidade, o patriarcado, o capitalismo se reproduzem a si mesmos como um modelo de poder. Para o resto de nós só há morte.

Nas ruas um "maricas" é espancado porque sua representação de gênero é muito feminina. A um pobre homem transexual que não consegue o dinheiro para seus hormônios salva vidas. Trabalhadore/as sexuais são assassinados por seus clientes. Um genderqueer é violada porque necessitava "ter sexo heterossexual". Mulheres lésbicas são encarceradas por defender-se contra homens heterossexuais que as agridem. A polícia nos brutaliza nas ruas.

Queers experimentamos, diretamente com nossos corpos a violência e a dominação deste mundo. Temos nossos corpos e desejos roubados de nós.

A perspectiva queer dentro do mundo heteronormativo é a que nos permite criticar e atacar o aparato capitalista. Nós podemos analisar as formas em que a medicina, a igreja, o Estado, o matrimônio, os meios de comunicação, as fronteiras, o exército e a polícia são usados para nos controlar e destruir. E ainda mais importante, podemos usar estes casos para articular um criticismo coeso de todas as formas em que somos alienado/as e dominado/as.

A posição queer é uma posição onde se ataca o normal. E é desde esta posição que a história dos queers organizados tem tomado sua forma. O/as mais marginalizados - pessoas trans, pessoas de cor, trabalhadore/as sexuais - sempre tem sido a base das chamas da resistência militante queer. Esta resistência tem sido acompanhada pela análise radical que afirma que a liberação queer está amarrada com a aniquilação do Estado e do capitalismo.

Se a história prova algo, é que o capitalismo tem uma tendência de pacificar os movimentos sociais. Isto, trabalha simplesmente. Um grupo ganha privilégio e poder dentro do movimento e pouco depois, traem seus companheiro/as. Alguns anos depois dos distúrbios de Stonewall, homens gays brancos e de classe média marginalizaram toda a gente que havia feito seu movimento possível e abandonaram a revolução.

Antes, se queer era estar em conflito direto com as forças de dominação. Agora nos tocou nos enfrentarmos ao estancamento total e a esterilidade. Como sempre, o capital transformou trans que atiravam pedras nas ruas em políticos e ativistas bem vestidos. Há gays republicanos e democráticos. Há países onde até há bebidas energéticas "gay" e canais de televisão "queer" que fazem a guerra mental, com o corpo e a autoestima da juventude. O estabelecimento político "GLBT" converteu-se numa força de assimilação, gentrificação e do poder estatal e capital. A identidade gay se converteu em um produto, uma comodidade e um aparato que funciona para retirar-se da luta contra toda a dominação.

Agora já não criticam nem o matrimônio, nem o exército, nem o capitalismo, nem ao Estado. Há campanhas para a assimilação queer dentro de cada uma. Suas políticas apóiam todas as instituições que reinformam a heteronomatividade, em vez de buscar a aniquilação daquelas. "Gays podem matar pessoas pobres da mesma forma que pessoas heterossexuais!" Gays podem ter reinos de capital e poder igual as pessoas heterossexuais!" "Somos iguais a vocês!"

Assimilacionistas buscam nada menos que construir o homossexual como o normal - rico, monogâmico, carros luxuosos, residências privadas. Esta construção, claramente reproduz a estabilidade da heterossexualidade, o patriarcado, o binário de gênero, o capitalismo.

Se nós realmente queremos destruir esta normalidade, necessitamos tomar uma posição firme. Não necessitamos da inclusão ao matrimônio, nem do exército, nem do Estado. Temos que destruí-los. Não mais político/as, nem chefes, nem policiais gays. Necessitamos separar as políticas de assimilação e as políticas de libertação.

Necessitamos reencontrar nossa sucessão como queer anarquistas descontrolado/as. Necessitamos destruir estas construções da normalidade, e ao invés, criar posições baseadas em nossa contrariedade a esta normalidade, uma alternativa capaz de desmantelá-la. Necessitamos usar esta posição para instigar rupturas, não só destas políticas de assimilação, mas do capitalismo em si mesmo.

Nossos corpos nasceram em conflito com a ordem social, temos que aprofundar este conflito e fazer com que se espalhe.

Devemos criar um espaço onde é possível desejar. Este espaço, obviamente, requer conflito com a ordem social. Para desejar, em uma sociedade estruturada para confinar o desejo, é uma tensão que vivemos diariamente.

Este terreno, que nasce na ruptura, deve desafiar a opressão em sua integridade. Isto significa a negação total ao mundo. Devemos nos voltar os corpos em rebeldia. Nós podemos apreender a fortaleza de nosso/as corpos em rebeldia para criar o espaço para nosso/as desejos. No desejo encontraremos o poder para destruir o que nos destrói. Temos que estar em conflito com o regime do normal.

Este artigo é uma tradução do panfleto "Towards the queerest insurrection” e o link está em:

› http://zinelibrary.info/files/Queerest%20Final_0.pdf

Páginas que relatam a insurreição queer mundial:

› http://bashbacknews.wordpress.com/

› http://www.blackandpink.org/

› http://www.qzap.org/

› http://www.lespantheresroses.org/

fonte- agência de notícias anarquistas-ana

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Moimorias

Em uma antiga oficina, um alfaiate idoso, costura suas encomendas e tece um mundo próprio, no qual imaginação, trabalho e memória dançam juntas ao ritmo de uma antiga máquina de costura.


Simplesmente encantador. Visitem o site www.moimorias.com.br e conheçam melhor esse projeto. Fiquem de olho nas próximas apresentações. A memória é o re-fazer.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Curtas

*Tempos de resistir. Lamentável o ocorrido de dois dias atrás provocado pelo Estado Fascista-sionista de Israel. "Nós pedimos uma investigação independente e imediata sobre o ataque israelense à frota de barcos, responsabilizando os culpados. Pedimos também a remoção imediata do bloqueio a Gaza." Participe também, clique no link:
http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla/98.php?cl_taf_sign=60Q7EhtL

*E mais luta. O que quer que venha da rede globo não deveria surpreender aqueles que são um pouco mais críticos. Entretanto diante dos absurdos e dos modos de ler o mundo, as vezes temos que nos manifestar. Vejo como grupos históricamente oprimidos podem se tornar vilões. Debate sobre o sistema de cotas nas universidades vira prato cheio para quem não quer mudar nada. Enquanto pseudos especialistas como esse almofadinha do Demétrio Magnoli seguir opinando suas babozeiras, muito temos pela frente. Falta pouco para alguém dizer em publico que brancos estão sofrendo racismo. Assista o video do Jornal Nacional aqui.Sempre é bom dizer: cotas não são privilégios, são reparações.

*Atenção na mostra da Cinemateca! Filmes de Roman Polanski de 3 a 27 de junho grátis! Veja programação completa.

*Michel Temer vice da Dilma? Quero ver agora quem pode dizer que essa merda de política partidária e democracia representativa que vivemos hoje tem alguma legitimidade. Eu prefiro nem sair de casa para não passar mais raiva nesse dia. Em breve mais notas e textos sobre o que interessa nos modos de fazer política e alternativas para esse circo, onde os palhaços somos nós!

*E aí vai mais um pouco de utopia nesse vida: o Bar Saci não para! Idéias, pessoas, sons, lutas e sonhos, tudo ao mesmo tempo agora e no mesmo lugar.
http://barsaci.wordpress.com


Eu vou lá!