terça-feira, 8 de abril de 2008

Um pouco de atitude não faz mal a ninguém

Em tempos de marketing verde, os departamentos de propaganda de quase todas as empresas estão realizando um des-serviço para comunidade global impressionante. Olhando alí, debatendo aqui, buscando informação lá, a conclusão que chegamos é bastante óbvia: falar de sustentabilidade é conversa pra boi dormir. Esse debate ficou por conta do departamento de marketing e não com o setor de produção, ou com o recursos humanos, ou sei lá com quem. Sustentabilidade para eles é propaganda, não atitude. Carro ecológico? Preocupados com sua saúde e de sua família? Respeito ao consumidor? Liberdade? Faça-me o favor! Está escrito otário na minha testa? Não que um dia eu tenha acreditado em alguma dessas promessas, mas eu só consigo validar um pouco esse discurso quando esse povo coloca a mão no bolso. E não pode ser apenas fazendo parte de alguma lei governamental que privilegia o não pagamento de impostos. E é por isso que estou falando disso. Dá uma olhada nessa iniciativa e me diga se não é digna de aplauso. Oxalá outros sigam esse exemplo!

BANCO REAL NÃO FINANCIA MAIS VEÍCULOS PARA PAULISTANOS

Em uma ousada, porém coerente atitude com o seu posicionamento sustentável, o Banco Real anunciou que não financiará mais veículos para moradores da Grande São Paulo.
Segundo informações da CET, são 500 veículos novos licenciados diariamente somente na capital. Um número que não pára de crescer em razão da expansão do crédito bancário. Com prazos de financiamento cada vez mais longos, chegando em alguns casos até a absurdos 100 meses, as classes mais populares estão comprando mais veículos e abandonando o transporte coletivo.
Os congestionamentos não param de crescer e em março a cidade bateu consecutivamente vários recordes de lentidão. “Tínhamos que fazer a nossa parte, pois São Paulo não consegue comportar mais automóveis”, declarou Bruno Tozzini, diretor de marketing do Banco Real. “Não basta dizermos nos comerciais que somos amigos do planeta e na prática contribuirmos para destruí-lo. Isso é hipocrisia!”, completa.
O banco não revelou quanto deixará de lucrar com a interrupção das operações, mas calcula-se que o volume total de financiamentos de veículos na grande São Paulo supere 400 milhões de Reais por mês. Se o banco Real detinha 10% deste mercado, está deixando de financiar 40 milhões mensais. Provavelmente um custo irrisório quando compensado com os ganhos de atitude e credibilidade da marca.
encontrado em cocadaboa

Imperdível!

O Centro Cultural do Banco do Brasil, no Centro de São Paulo (rua Álvares Penteado 112), estará projetando entre os dias 08 e 24 de Abril um ciclo de filmes de Guy Debord, principal teórico e dirigiente da Internacional Situacionista, importante movimento político-cultural da década de 1960. Segue abaixo a programação e as sinopses.
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De 08 a 24 de abril
• Dia 08.04 - terça-feira
19h – “Debord: sua arte e seu tempo”,de Guy Debord e Brigitte Cornand (1995, DVD, 60 min., 16 anos)
• Dia 09.04 - quarta-feira
15h - Campo de Batalha: 21 dias no limiar do Império. de Stephen Marshall / GNN (2004, DVD, 82 min., 16 anos)
17h - Série Fim das Utopias, de Carlos Sansolo (2006, DVD, 52min.22s, 16 anos) + Sobre a passagem de umas poucas pessoas através de uma breve unidade de tempo, de Guy Debord (1959, DVD, 20 min., 16 anos)
• Dia 10.04 - quinta-feira
15h - rebatismodaavenidar obertomarinho. mov, do CMI (2004, DVD, 6min. 13s., 16 anos) + Enjoy, de Gordon Winienko (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, do CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos) + A revolução não será televisionada, MediaSana (2003, DVD, 6 minutos, 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo (SOS Remix Digital), de DJ RABBI (2004, DVD, 10 min., 16 anos) + Red Dreams, de Rachel Rosalen (2004, DVD, 6 min. 50s, 16 anos) + Logo x No Logo, de Lucas Bambozzi (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) +Moradia no Centro, de CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos)
17h - Série Fim das Utopias, de Carlos Sansolo (2006, DVD, 52min.22s, 16 anos) + Crítica da Separação, de Guy Debord (1959, DVD, 20 min., 16 anos)
Dia 11.04 - sexta-feira
15h - rebatismodaavenidar obertomarinho. mov, do CMI (2004, DVD, 6min. 13s., 16 anos) + Enjoy, de Gordon Winienko (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, do CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos) + A revolução não será televisionada, MediaSana (2003, DVD, 6 minutos, 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo (SOS Remix Digital), de DJ RABBI (2004, DVD, 10 min., 16 anos) +
Red Dreams, de Rachel Rosalen (2004, DVD, 6 min. 50s, 16 anos) + Logo x No Logo, de Lucas Bambozzi (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, de CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos)
17h - A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
19h – DEBATE Que situação hein, Debord? - Arte e Política, com Marcus Bastos (mediador), Silvio Miele e Christine Mello
• Dia 12.04 sábado
15h - Série Fim das Utopias, de Carlos Sansolo (2006, DVD, 52min.22s, 16 anos) + Crítica da Separação, de Guy Debord (1959, DVD, 20 min., 16 anos)
17h – DEBATE Que situação hein, Debord? - Urbanismo, Espaço Público e Situacionistas, com Milena Szafir (mediadora), Regina Meyer e Paola Berenstein
19h - Refutação de todos os julgamentos, elogiosos e hostis, até o momento feitos sobre o filme A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1975, DVD, 20 min., 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
• Dia 13.04 domingo
15h - In girum imus nocte et consumimur igni, de Guy Debord (1959, DVD, 105 min., 16 anos)
17h - Seleção comentada Marcus Bastos (A história da apropriação no cinema)
• Dia 16.04 quarta-feira
15h - Uivos para Sade, de Guy Debord (1952, DVD, 75 min., 16 anos)
17h - rebatismodaavenidar obertomarinho. mov, do CMI (2004, DVD, 6min. 13s., 16 anos) + Enjoy, de Gordon Winienko (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, do CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos) + A revolução não será televisionada, MediaSana (2003, DVD, 6 minutos, 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo (SOS Remix Digital), de DJ RABBI (2004, DVD, 10 min., 16 anos) + Red Dreams, de Rachel Rosalen (2004, DVD, 6 min. 50s, 16 anos) + Logo x No Logo, de Lucas Bambozzi (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, de CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos)
14h às 21h - INTERVENÇÃO - Entrevista com candidatos intervenção
Local: Auditório
• Dia 17.04 quinta-feira
15h - A Sociedade do Espetáculo (SOS Remix Digital), de DJ RABBI (2004, DVD, 10 min., 16 anos) + Logo x No Logo, de Lucas Bambozzi (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, de CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
17h - In girum imus nocte et consumimur igni, de Guy Debord (1959, DVD, 105 min., 16 anos)
19h - Explanação sobre a intervenção e anúncio dos selecionados para a intervenção
• Dia 18.04 sexta-feira
15h às 19h - Intervenção Que situação, hein, Debord? (Os selecionados para a intervenção farão visita ao local - psicogeografia, início das atividades preparatórias para a intervenção)
Local: Entorno do CCBB e Auditório
17h - Refutação de todos os julgamentos, elogiosos e hostis, até o momento feitos sobre o filme A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1975, DVD, 20 min., 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
19h – DEBATE Que situação, hein, Debord? - Apropriação e Mídias Digitais, com Marcus Bastos (mediador), Giselle Beiguelman, Priscila Arantes e Rick Silva
• Dia 19.04 sábado
15h - rebatismodaavenidar obertomarinho. mov do CMI (2004, DVD, 6min. 13s., 16 anos) + Enjoy, de Gordon Winienko (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, do CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos) + A revolução não será televisionada, MediaSana (2003, DVD, 6 minutos, 16 anos) + A Sociedade do Espetáculo (SOS Remix Digital), de DJ RABBI (2004, DVD, 10 min., 16 anos) + Red Dreams, de Rachel Rosalen (2004, DVD, 6 min. 50s, 16 anos) + Logo x No Logo, de Lucas Bambozzi (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos) + Moradia no Centro, de CMI (2007, DVD, 16 min., 16 anos)
17h - DEBATE Que situação, hein, Debord? - Videoativismo e Intervenção Urbana, com Milena Szafir (mediadora), Karine Batista, Mário Ramiro (e Ricardo Rosas, in memoriam)
19h - A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
• Dia 20.04 domingo
15h - Campo de Batalha: 21 dias no limiar do Império, de Stephen Marshall / GNN (2004, DVD, 82 min., 16 anos)
17h - Seleção Comentada: vídeos MM não é Confete - Seleção de vídeos produzidos pelo MM não é confete, cuja exibição será comentada pelo próprio grupo.
• Dia 24.04 quinta-feira
19h - INTERVENÇÃO URBANA Que situação, hein, Debord?
Local: Entorno do CCBB
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Sinopses: Que Situação Hein, Debord?
A Sociedade do Espetáculo (1973, DVD, 90 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
O filme usa imagens apropriadas de diversas fontes como ponto-de-partida para discutir como nas sociedades dominadas pelas condições modernas de produção, a vida se apresenta como um imenso acúmulo de espetáculos (que não são imagens, mas pessoas mediadas por imagens).
A Sociedade do Espetáculo (Remix Digital) (2004, DVD, 10 min. , 16 anos)
Diretor: DJ RABBI
O remix digital de A Sociedade do Espetáculo é um DVD-arte de dez minutos que usa como material fonte textos, imagens e outras derivas psicogeográficas do arqui-Situacionista Guy Debord. O trabalho foi criado pelos membros do DJ RABBI, um coletivo artístico de ativistas políticos, e inclui remixes visuais de by Rick Silva aka Cuechamp, desvios sonoros de Trace Reddell aka the pHarmanaut, e legendas originais de Mark Amerika aka Kid Hassid.
Campo de Batalha: 21 dias no limiar do Império (2004, DVD, 82 min., 16 anos)
Diretor: Stephen Marshall
No final de 2003, dois cineastas ganhadores de Sundance Guerrila News Network passaram três semanas na linha de frente das guerrilhas fervilhantes na guerra do Iraque, coletando informações, manipulando balas, e capturando as histórias não contadas daquela que se tornou a guerra mais coberta pela mídia, e também a mais mal-entendida.
Crítica da Separação (1961, DVD, 19 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
O cinema tratado como paralelo do heroísmo e das condutas exemplares modeladas pelos governantes. Investigação sobre a aventura e o tédio em meio a paisagens de cartão postal, sonhos, confusão e dúvida em manhãs de memória turva pela bebida da noite anterior. Psicogeografia cinemática sobre o bairro Saint German de Prés.
Debord: sua arte e seu tempo (1995, DVD, 60 min., 16 anos)
Diretor: Brigitte Cornand
Documentário sobre Guy Debord, que insere seu trabalho num contexto mais amplo em que as idéias situacionistas dialogam com os desdobramentos da cultura e da sociedade após Maio de 68.
Enjoy (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos)
Diretor: Gordon Winiemko
De um lado a história da obsessão do cineasta pelo ícone cultural brilhante – um neon gigante da Coca-Cola – e ao mesmo tempo uma série de simulações de comerciais de TV meticulosamente construídas, com uma parade de personagens e situações que comentam O Símbolo – de sua dominação da paisagem pública à sua influência no “impulso’ pessoal por prazer, o verdadeiro desejo de “curtir”.
Espetáculo+vigilâ ncia=consumo (2004/05 - parte01 de 03/ versão 01#Beta: 2006). 06min.
Diretor: mm não é confete
Vídeo construído a partir de imagens remixadas e projetadas ao vivo durante os trabalhos do grupo: "Performances Panopticadas / Surveillance- Wireless-Vjing- Performance" (2004), "Manifesto Panóptico" (2004) e "Consumo, logo existo / Quanto valho ou é por kilo?" (2006), a partir de conceitos como "O espetáculo não é um conjunto de imagens mas uma relação social entre pessoas mediada por imagens" (e sons) e "Sorria, você esta sendo filmado". A cidade - espaço urbano físico - onde vivemos cotidianamente é uma fronteira do intolerável frente à noção do "ser humano", ou seja, vivemos em uma atual sociedade do desvio frente à lógica disciplinar, onde o ser - urbano reinventa diariamente sua resistência, caracterizando- se como produtor e consumidor, ou seja, participação efetiva no consumo de bens tanto materiais quanto imateriais/culturai s para adentrar a uma contemporânea "casta cidadã" caracterizando- nos portanto como "Autômatos em uma Sociedade do Espetáculo".
Fim das Utopias (2006, DVD, 52min.22s, 16 anos)
Diretor: Carlos Sansolo
Vídeos que tratam da relação do saber; do convencimento por argumentação; da relação entre o etnocentrismo filosófico e a hegemonia militar; da representação e da imagem que o contemporâneo tem de si mesmo; do sistema financeiro e de outros dispositivos relacionais.
In girum imus nocte et consumimur igni (1978, DVD, 105 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
“Eu fui às vezes reprimido — erradamente, acredito — por fazer filmes difíceis. Agora eu vou de fato fazer um”. Debord explica em quase duas horas de projeção que não faz concessões ao público porque considera que nada importante foi comunicado com gentileza.
Logo x No Logo (2003, DVD, 3 min. 10s, 16 anos)
Direitor: Lucas Bambozzi
A documentação da instalação Logo x No Logo, produzida em 1 de maio de 2002, em Londres, adquire novas configurações na medida em que se relaciona com outras imagens, a partir de procedimentos de scratch em sessões de live image na exposição Imagem Não Imagem, na Galeria Vermelho, São Paulo, em 2003.
Moradia no Centro (2007, DVD, 16 min., 16 anos)
Diretor: CMI
Vídeo produzido por vários coletivos sobre as ocupações, desocupações e cortiços no centro de São Paulo. Um panorama sobre a rotina dos que vivem em situação de rua.
Rebatismo da avenida Roberto marinho.mov (2004, DVD, 6min. 13s min., 16 anos)
Diretor: CMI
O dia pela democratização dos meios de comunicação foi marcado, em São Paulo, por um ato de rebatismo da Av. Jornalista Roberto Marinho para Av. Jornalista Vladimir Herzog. A ação aconteceu por volta das 14h30min com a mudança da placa na esquina da Av. Santo Amaro com a Av. "Vladimir Herzog". Ao todo foram modificadas cinco placas, até o momento em que começou a repressão. Um dos manifestantes foi preso ao tentar colar um adesivo na placa e encaminhado para a 96ª DP.
Red Dreams (2004, DVD, 6min50s, 16 anos)
Diretor: Rachel Rosalen
O sonho de Alice é invertido para a exposição do feminino a partir do vermelho que transborda e recria o imaginário dentro do seu próprio labirinto. Trata do corpo desborda, transborda, um corpo que não sustenta mais a posição de acerto, de saber, de máquina e assume a sua mais nobre falência, onde a esfinge é desmontada. Um corpo onde nada mais funciona: corpo em estado de sítio.
Refutação de todos os julgamentos, elogiosos e hostis, até o momento feitos sobre o filme A Sociedade do Espetáculo
(1975, DVD, 20 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
Acusado pelos críticos de cinema de fazer filmes que são ruins enquanto política revolucionária e pelos ativistas de esquerda de fazer política revolucionária que é ruim enquanto cinema, Debord rebate estes e outros ataques a seu filme mais conhecido.
Sobre a passagem de umas poucas pessoas através de uma breve unidade de tempo (1959, DVD, 20 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
As fachadas dos prédios do bairro de Saint-Germain- des-Prés, na Paris dos anos 70, e as conversas intelectualizadas da boêmia estudantil da época, ilustram uma busca por passagens, válvulas de escape para vidas entendidas como jornadas no inverno e na noite.
Uivos para Sade (1952, DVD, 75 min., 16 anos)
Diretor: Guy Debord
Filme sem cenas, em que a tela negra e a narração às vezes interrompida funcionam como manifesto de um cinema que surge com objetivo de questionar a sedução das imagens.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

e vai mais do mesmo!

Por causa de coisas assim que penso inaugurar uma coluna aqui no Paladar intitulada Acabando com a política da boa vizinhança. Eis que depois de escrever o texto anterior falando exatamente sobre tolerãncia e alguns de seus limites, recebo algo que ilustra bem o que tentei falar sobre o absurdo de se tolerar tudo. Tinha ouvido falar em 2007 desse criminoso que se diz artista e não esperava mais ouvir falar dele, mas eis que aparece o dito cujo. O nome do infeliz é Guillermo Vargas Habacuc. Em 2007 na Nicarágua, em Manágua, para debater sobre a fome fez a sequinte "instalação": encontrou um cachorro de rua e o amarrou dentro da galeria provocando sua morte por fome e sede. Acredita nisso? Está aí o cãozinho...
Ele se justificou com dois cometários para sua "obra" (sic): primeiro que esse debate todo é uma grande hipocresia, afinal se o cão ainda estivesse na rua passando fome e sede ninguém iria ligar. Depois que isso foi uma tentativa de homenagear (sim, ele usou esse termo!) um nicaragüense morto por cães rottweiller. Evidentemente não pretendo pedir a tortura do ilustre para que ele sinta o absurdo de sua chamada arte (sou terminantemente contra toda e qualquer forma de tortura), mas sugiro apenas que na próxima vez, ele deva colocar uma criança para falar da fome, assim tenho certeza que terá mais atenção para sua maneira de denunciar a hipocresia humana. Certo? E sem falar que não posso entender também a complacência daqueles que estão a sua volta em aceitar isso. Artistas? Imaginar e aceitar o uso da tortura e da humilhação a outro ser, seja ele humano ou não, em nome da arte é mais do que rídiculo, é imoral, antiético, escroto e repulsivo!
E a coisa não parou por aí. Vejam que mal passada essa macabra exposição, a criatura é convidada a repetir (isso mesmo: repetir!) a experiência como representante da Costa Rica na Bienal Centroamericana Honduras 2008. Tá vendo o que eu quero dizer sobre tolerância? Arte pós-moderna é o escambau! Evidentemente eu não sou o único a se indignar com relação a isso. Quase 2 milhões de pessoas se pronunciaram. Clique aqui e assine uma petição online contra a partipação desse boçal nessa bienal. Nesse caminho fico apenas esperando o dia em que Menguele e seus comparsas nazis serão homenageados pela "inestimável" contribuição ao progresso da medicina. - Gostaria de colocar uma foto do "artista" (sinto por mais essas aspas...), mas não encontrei. Parece que o pessoal da Animal Liberation Front já foram falar com ele, e depois dessa conversinha anda bem cauteloso para mostrar a cara por aí.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Acabando com a política da boa vizinhança.

Não é tão complicado assim, o difícil mesmo é saber o limite da tolerância. Pense em ação direta. A sensação de estar tomando o próprio destino nas mãos é impressionante! Você não delega poder ou decisão a terceiros, na verdade isso está contigo, o poder já é seu. Voraz e contundente, a luta por uma vida melhor implica riscos. Escolhas audaciosas que precisam deixar claro de que lado você esta, por isso mesmo a dificuldade em saber alguns limites. Ao que me cabe hoje, tenho certeza que não posso mesmo tolerar algumas coisas. Tolerar tudo é absurdo e até mesmo lamentável. Li certa vez o filósofo francês André Comte-Sponville dizer que tolerar é se responsabilizar, e a tolerância que responsabiliza o outro já não é tolerância. Concordo! Tolerar o sofrimento dos outros, tolerar a injustiça de que não somos vítimas, tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância: é egoismo, é indiferença, ou pior. Ele ainda diz lá no mesmo lugar (Pequeno tratado das grande virtudes, ed. Martins Fontes), que tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância já era colaboração. O que dizer hoje então da canalha que está dirigindo praticamente todas as grandes corporações, governos e bancos? Antes o ódio, antes a fúria, antes a violência, do que a passividade diante do horror, do que essa aceitação vergonhosa do pior! Concordo sim! Uma certa radicalidade é urgente, necessária. Uma tolerância universal seria tolerância do atroz: atroz tolerância! Não é apenas um problema de opinião, do debate concordo-discordo, mas de ação e abandono. Ação para deixar a pestilência e a preguiça, substituindo-as por criatividade e esperança. Abandono do conforto e do privilégio, principalmente por parte daqueles que têm a certeza de que precisam de mais (mesmo que já tenham), não importa do quê! Temos as vezes que dar nomes aos bois. Já disse Bakunin: socialismo sem liberdade é opressão, mas liberdade sem socialismo é privilégio e exploração. E nem adianta vir com o papo desacreditado ou a acusação cínica do tal idealista e não sei o que do sonhador, ao que me cabe também, sem medo ou dúvida aos meus 30 anos, anarquista! Ousadia sempre, principalmente para não tolerar o pior. Veja bem, quando muitos proclamam aos quatro ventos a imagem de Mohandas Gandhi nesses dias de tanta dor e miséria. Adoro ele! Até onde saiba foi sincero, inteligente e forte. Um mestre na conduta da não-violência e desobediência civíl. O que algumas pessoas esquecem de mencionar, até por que lhes convêm, é seu radicalismo. Acho mesmo que ele foi um radical, bem diferente de um extremista, e essa é uma diferença importante para o que estou tentando dizer. Radical na raiz do problema, na essência do desafio, no que exige ética. Dizia ele que diante de uma injustiça, de uma opressão evidente, você deve prefirir a afronta e até a violência do que a covardia. E foi mais longe: falava que todo aquele que possui coisas da qual não necessita é um ladrão! E agora meus caros, o que parece? Era ou não um radical? Liberdade dá trabalho e implica em escolhas nem sempre prazeirosas. Ação direta é a simplicidade, é aceitar o desafio com a tolerância que deseja primeiro a solução, e não o conforto. Ela nunca é a tolerância do desprezível. Ela ensina que não se deve abrir mão do próprio poder e da responsabilidade, alertando que aquele que deseja apenas para si toda segurança e liberdade do mundo, não conseguirá nada além que a mediocridade.

foto por Centro de Midia Independente Dublin - marcha de anarquistas contra a guerra no Iraque, 2006, Irlanda.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Feira de livros na USP Leste

I Feira de Livros da EACH-USP
Prezados, estamos organizando a I Feira de Livros da EACH e gostaríamosmuito que apoiassem a iniciativa com a sua presença e com a divulgação em suas redes de contato.
1ª Feira de Livros da EACH-USP oferece descontos a partir de 50%.
A Primeira Feira de Livros da EACH - USP (Leste) acontecerá nos dias 7 e 8de abril das 9h às 21h no vão livre dos anfiteatros da Escola de Artes,Ciências e Humanidades (Estação USP da Linha F da CPTM).
Como ocorre há 9 anos na USP Butantã, o evento proporcionará descontos eml ivros a partir de 50%. Além de títulos acadêmicos, a feira contará com livros infantis, religiosos, comic books...
Para a sua primeira edição, os alunos do Centro Acadêmico de Gestão de Políticas Públicas convidadaram mais de 50 editoras, cujos títulos abrangem todas as áreas do conhecimento. Entre elas: A Girafa, Alameda,Aleph, Alfa-Omega, Annablume, Anpocs, Átomo-Alinea, Associação dosEditores Evangélicos, Ateliê, Autêntica, Barracuda, Boitempo, Brasiliense,Casa Amarela, Contexto, Contraponto, Conrad, Cortez, Cosac Naify, Editora34, UERJ, UNICAMP, UNESP, EDUSP, F. Perseu Abramo, Garamond, Hucitec,Humanitas, Imprensa Oficial do Estado SP, Gaia, Global, Globo, Lazuli,L&PM, Manole, Memória Visual, Martin Claret, Martins Fontes, NovaFronteira, Panini, Papirus,Paulinas, Paz e Terra, Perspectiva, Sá Editora,Terra Virgem, Vieira & Lent, Xamã, 7 Letras, dentre outras.

Contamos com sua participação e divulgação!
Atenciosamente,
Comissão organizadora da I Feira de Livros da EACH
Centro Acadêmico Herbert de Souza - Gestão de Políticas Públicas
Direção da Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Mara Paulini Machado(11) 8928-0818
Gestão de Políticas Públicas
Centro Acadêmico Herbert de Souza/ BetinhoEscola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A saudade do buteco

Muito mais do que sentir o bem conhecido "queria eu ter escrito isso", existem palavras que não as suas, mas que ainda assim te compreendem de um modo especial e te fazem sentir bem. Como a lembrança de um lugar pode causar tamanha confusão! Isso também pela sinceridade. Um bocado de vezes tentei explicar o que era um buteco e me faltaram condições para descrevê-lo com clareza, quem sabe até compará-lo, tentando apenas ilustrar esse espaço-encontro para o entendimento de quem não é brasileiro. Andamos por muitos bares e não dá para dizer que isso represente do modo que seja, sua real expressividade (a do buteco) e esse quase-lugar-comum conhecido de alguns brasileiros, é ficar no meu caso, louco de saudade. Ainda mais quando se está tão distante de casa e a única coisa que precisa é de amigos que você não tenha que explicar as coisas em detalhes, apenas o encanto do que acontece por ali, compartilhando dor e alegria, e talvez uma cerveja gelada e um tanto de amendoim...
Não tenho muito do que me queixar, não me entendam mal! Andei por lugares curiosos e provei iguarias saborosíssimas, mas não tem jeito, a gente sempre acha que tá faltando alguma coisa. Gente insatisfeita? Penso que não. Provei a cerveja inglesa nos pubs de Londres. Saboriei a sidra asturiana do norte da Espanha. Fiz bons amigos nas bebedeiras dos bares e cafés de Montreal. Presenciei o desabrochar das cerejeiras na primavera do Japão com o melhor sakê. Ainda assim, ficava a saudade. Parece-me que boa parte da dificuldade é a ausência de luta, mas agora me limito a buscar o lado mais suave e tranquilo. Afinal, quando você entende de onde é e porque vem, nada pode substituir isso. Nunca desaparece. Claro que crescemos e aprendemos, mas no melhor estilo confuciano, se nascemos para ser pardais não podemos ser morcegos.
Reproduzo o texto de Luiz Antonio Simas, que está em seu blog História do Brasil. Sem comentários. Genial. Leia e entenda por si mesmo.
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RESISTIR É PRECISO

Vivemos, e isso não é novidade alguma, uma época de uniformização dos costumes, fruto deste tal "mundo globalizado". Em todo canto desse mundo velho sem porteira, gerido por mega-redes transnacionais de telecomunicações, são consumidos os mesmos filmes, utilizadas as mesmas roupas, ouvidas as mesmas músicas, falado o mesmo idioma, cultuados os mesmos ídolos. Nessa espécie de culto profano, em que a vida cotidiana é regida pelos rituais em louvor ao mercado, esse profano deus, o bicho pega e as idéias morrem.
Vivemos o fracasso das ideologias e das grandes instituições. Eu, que trabalho com alunos adolescentes e adultos, percebo que as crenças e projeções de futuro da rapaziada foram substituídas pelo pânico cotidiano - do assalto e das doenças, no âmbito pessoal, às catastrofes ambientais, na esfera coletiva. Cria-se uma lógica perversa - como posso morrer de bala perdida ou sucumbir ao aquecimento global, preciso viver intensamente o dia de hoje.
Ocorre que essa valorização extremada do tempo presente é acompanhada pela morte das utopias coletivas de projeção do futuro. Não há mais futuro a ser planejado. Somos guiados pelos ritos do mercado e abandonamos o mundo do pensamento, onde se projetam perspectivas e são moldadas as diferenças. Restaram, talvez, duas tristes utopias possíveis, em meio ao fracasso dos sonhos coletivos - a de que seremos capazes de consumir tal produto e a de que poderemos ter um corpo perfeito.
Transformam-se , nesse tempos depressivos, os shoppings centers e as acadêmias de ginástica nos espaços de exercício da utopia, onde poderemos comprar produtos e moldar o corpo aos padrões da cultura contemporânea - o corpo-máquina dos atletas ou o corpo-esquálido das modelos.
É aí, e eu queria falar disso desde o início, que localizo na minha cidade o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global - o botequim. Ele, o velho buteco, o pé-sujo, é a Ágora carioca. No botequim não há grifes, não há o corpo-máquina, o corpo-em-si-mesmo, a vitrine, o mercado pairando como um deus a exigir que se cumpram seus rituais.
O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da porrada, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da alegria do novo amor, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar.
É nessa perspectiva que vejo a luta pela preservação da cultura do buteco, capitaneada por gigantes no assunto como meu mano Edu Goldenberg e o mestre Fernando Szegeri, como algo com uma dimensão muito mais ampla que o simples exercício de combate aos bares de grife que , como praga, pululam pela cidade.
A luta pelo buteco é a possibilidade de manter viva uma Ágora efetivamente popular, espaço de geração de idéias e utopias - sem viadagens intelectuais, mas fundadas na sabedoria dos que tem pouco e precisam inventar a vida - que possam nos regenerar da falência de uma (des)humanidade que limita-se a sonhar com a roupa nova e o corpo moldado. O botequim é o anti-shopping center, é a anti-globalização, é a recusa mais veemente ao corpo-máquina dos atletas olímpicos ou ao corpo doente das anoréxicas - doença comum nesse mundo desencantado.
Ali, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, daquele mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o deus e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o ser humano é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória - a capacidade de sonhar seus delírios e afogar suas dores e medos na próxima cachaça. É onde a alma da cidade grita - Não passarão!
Essa guerra, amigos, é muito mais significativa do que imaginam os arautos do bom gosto e da tolerância.
Abraço

terça-feira, 1 de abril de 2008